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Paralisação de obras de revitalização preocupa comunidade do Centro de Vitória

Intervenção foi interrompida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por falta de estudos sobre impacto em área histórica
Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 abr 2026 às 13:11

Publicado em 05 de Abril de 2026 às 13:11

A revitalização prevê melhorias nas ruas Sete de Setembro e Gama Rosa, além da Praça Ubaldo Ramalhete
A revitalização prevê melhorias nas ruas Sete de Setembro e Gama Rosa, além da Praça Ubaldo Ramalhete Crédito: Yago Araújo
A obra de revitalização do Centro de Vitória, iniciada pela prefeitura em março deste ano, foi paralisada após determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A interrupção tem causado impacto direto no comércio e gerado reclamações de moradores da região.
Segundo apuração do repórter Álvaro Guaresqui, da TV Gazeta, o embargo ocorreu cerca de 20 dias após o início das intervenções. O motivo, de acordo com o Iphan, é a ausência de estudos que comprovem o impacto da obra em uma área considerada sítio arqueológico.
A revitalização prevê melhorias nas Ruas Sete de Setembro e Gama Rosa, além da Praça Ubaldo Ramalhete, com investimento de cerca de R$ 10 milhões.
Enquanto a obra não avança, comerciantes relatam queda no movimento e dificuldades no dia a dia. A comerciante Samira Campana, que trabalha há quatro anos na Rua Sete de Setembro, afirma que o impacto já é significativo.
“O fluxo de clientela diminuiu mais de 52% e aumentou muito a sujeira, a poeira, fica difícil pra gente”, disse. Ela também destacou que a situação tem prejudicado principalmente clientes idosos, por conta das dificuldades de acesso.
A moradora do bairro Maria Eugênia Moreira de Oliveira diz estar preocupada com a suspensão das obras. Segundo ela, por onde passa tem escutado reclamações, principalmente dos comerciantes.

Área é considerada sítio arqueológico

De acordo com o Iphan, o Centro de Vitória é uma área sensível do ponto de vista histórico, o que exige autorizações específicas antes de intervenções mais profundas. “A gente pode nessa região encontrar resíduos de cerâmica que foram utilizados séculos atrás, antes da colonização, inclusive porque essa área aqui era habitada por indígenas, tinha restos de animais, ossadas humanas”, explicou o superintendente do órgão, Joubert Jantorno.
Segundo ele, a paralisação foi necessária porque o instituto ainda não teve acesso completo ao projeto. “Por este motivo, porque nós não conhecemos o projeto e não sabemos o nível de intervenção que será feita nesse processo da requalificação, é que nós solicitamos a paralisação das obras”, afirmou.
Movimento na loja da comerciante Samira Campana despencou após início das obras
Movimento na loja da comerciante Samira Campana despencou após início das obras Crédito: Yago Araújo

Prefeitura e Iphan discutem liberação

A Prefeitura de Vitória informou que iniciou a obra com base em licenças obtidas em 2023 e argumenta que o Iphan atualizou as regras apenas em 2025. O instituto, por sua vez, afirmou que já recebeu a documentação e que está acelerando a análise para liberar a continuidade da obra. “A documentação foi nos encaminhada no dia 1º e, já no dia 2, nós já fizemos os primeiros despachos. Toda a equipe está orientada e posicionada para acelerar esse processo”, disse Jantorno.

Expectativa e incerteza

Apesar dos transtornos, moradores e comerciantes afirmam que a revitalização é necessária, mas cobram agilidade. “A revitalização é muito bem-vinda, isso é ótimo. Porém, precisa ser de uma forma dentro do tempo hábil. Não dá para ficar esperando”, afirmou a comerciante Samira Campana.
Segundo a prefeitura, o cronograma prevê a execução em até 12 meses, com intervenções feitas por trechos. A administração também afirma que mantém diálogo com moradores da região. A expectativa é de que as obras sejam retomadas após a liberação do Iphan.
*Com informações do repórter Álvaro Guaresqui, da TV Gazeta

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