Ao circular pelas ruas mais movimentadas de Vitória, principalmente nos horários de pico, motoristas e pedestres podem encontrar diversos contratempos. O fluxo intenso de veículos causa engarrafamentos, trânsito lento, fechamentos de cruzamentos e, muitas vezes, acidentes; situações que atrasam — e estressam — a vida dos trabalhadores. Em momentos como esses, e também na organização diária do vai e vem dos automóveis, a população se pergunta: onde estão os agentes municipais de trânsito?
Na Capital, são 229 guardas em atuação. Eles são divididos em escalas, completando 8 ou 12 horas de plantão. Os locais de trabalho não são fixos, podendo variar conforme a urgência do dia.
A equipe da A Gazeta foi às ruas no último dia 11 para verificar a atuação da Guarda de Trânsito. Ao todo, a reportagem esteve em cinco vias na parte da manhã, entre 8h e 11h:
- Cruzamento da Avenida Desembargador Santos Neves com a Saturnino de Brito
- Avenida Fernando Ferrari com a Rua Anísio Fernandes Coelho
- Avenida Rio Branco, próximo à ponte Ayrton Senna
- Avenida Américo Buaiz, em frente ao Shopping Vitória
- Avenida Leitão da Silva com a César Hilal
Apenas no último ponto, no cruzamento entre a Avenida Leitão da Silva com a César Hilal, havia uma viatura da Guarda Municipal de Trânsito em ação.
De acordo com a Prefeitura de Vitória, os agentes atuam em três períodos de pico: manhã, na hora do almoço e no fim da tarde. Nesses horários, as viaturas são posicionadas em locais com maior fluxo de veículos.
Um dos primeiros trabalhos do dia é a Operação Escola, das 7h às 7h30, momento em que os agentes ficam nas ruas próximas aos principais colégios da cidade.
O gerente de operação e fiscalização de trânsito do município, Bruno Xavier, explica que as escalas são feitas pensando nos pontos com mais trânsito, mas as equipes são deslocadas para atender a chamados.
Ele destaca que, nos pontos visitados pela reportagem, os agentes de trânsito não foram vistos porque, provavelmente, estavam atendendo a alguma denúncia ou posicionados em outros pontos da Capital.
Além dos guardas, segundo ele, o trânsito é vigiado por 602 câmeras de monitoramento. "Caso haja algum problema, acionamos os agentes de trânsito para irem até o local", pontua Xavier.
Na região próxima à Curva da Jurema, não havia guardas de trânsito, e o tráfego estava fluindo bem. Na Avenida Américo Buaiz, em frente a Assembleia Legislativa, a situação era a mesma.
O vendedor Marcelo dos Santos, que trabalha na região, disse que os agentes só ficam nesses locais na parte da tarde. “Eles chegam 4h30, 5h e vão até às 10 (da noite). Eu chego aqui 10h da manhã, e a única viatura que encontro todos os dias é a viatura da (Polícia) Militar.”
Já na Ponte Ayrton Senna e na Avenida Rio Branco, o trânsito estava lento por conta, justamente, da movimentação de escolas na região, mas não havia nenhum agente no local, assim como na Avenida Fernando Ferrari, em frente à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O técnico em audiovisual Alex Andrade, que trabalha perto da universidade, comenta que só observa a presença dos agentes de trânsito em situações atípicas. “A Guarda Municipal só aparece em ocasiões de acidentes ou interrupções de vias. Esses semáforos não são sincronizados, o que gera um travamento no trânsito, e não tem um guarda para auxiliar.”
LAÍSA MENEZES é aluna do 26º Curso de Residência em Jornalismo. Este conteúdo teve orientação da editora Mikaella Campos e edição da editora-ajunta Fernanda Dalmacio.