Além das mais de 230 mortes registradas em decorrência do novo coronavírus no Brasil, também já se cogita impactos futuros, atingindo inclusive as taxas de natalidade no período da pandemia. Um levantamento realizado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), com base nos registros de nascimentos realizados nos 7.651 Cartórios de Registro Civil existentes no país, revelou uma queda histórica de 15% nos nascimentos em janeiro de 2021.
Na pandemia, ES tem queda de 9,8 por cento nos nascimentos registrados em janeiro
No Espírito Santo, o número de registros de nascimentos caiu 9,8% em janeiro de 2021, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Enquanto o número absoluto de registros no mês passado foi de 4.260, em janeiro de 2020 foram registrados 4.723 nascimentos. É o menor número desde 2018. Veja o gráfico:
De acordo com o presidente da Arpen, Gustavo Renato Fiscarelli, a Covid-19 afetou todos os aspectos vitais da população brasileira, sejam eles pessoais, econômicos ou da vida civil. "No Registro Civil, que compreende os atos principais de cidadania, já eram nítidos os impactos nos óbitos e nos casamentos, mas agora, passados nove meses desde o mês de abril, verificou-se o primeiro impacto na natalidade da população brasileira. Na pandemia, os casais optaram por adiar o sonho de terem filhos, o que certamente impactará futuramente no desenvolvimento do País”, explicou.
De acordo com dados da Arpen-Brasil, o número total de registros de nascimento no ano de 2020 foi o menor no Estado desde 2016. Em 2020 foram 54.144 registros de nascimentos, enquanto em 2016 foram apontados 52.958. É o que pode ser observado no gráfico seguinte:
DADOS NO BRASIL
De acordo com o levantamento da Arpen-Brasil, com base nos registros de nascimentos realizados nos 7.651 Cartórios de Registro Civil existentes no país, foi revelada queda histórica de 15% nos nascimentos em janeiro de 2021, primeiro mês após o período normal de gestação, desde a chegada da Covid-19 no Brasil, em que os casais optaram por ter ou não filhos, já com a crise sanitária instalada.
Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil, repositório com estatísticas dos atos praticados pelos cartórios do país, administrada pela Arpen. Em janeiro deste ano, foram realizados 207.901 nascimentos no Brasil, número 15,1% menor que o registrado em janeiro do ano passado, quando houve 244.974 registros. O número é 15 pontos percentuais menor que a média histórica nacional do mês de janeiro, desde 2002, período analisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (entre 2002 e 2021).
No total, 26 das 27 unidades federativas brasileiras registraram redução no número de nascimentos no mês de janeiro de 2021, em relação ao ano de 2020, entre elas o Espírito Santo (-9,8%).
Confira as maiores reduções de natalidade registradas no Brasil na comparação entre janeiro de 2020 e 2021:
- Maranhão (-26%);
- Amazonas (-23,9%);
- Roraima (-23,1%);
- Piauí (-21,3%);
- Mato Grosso (-20,8%)
O Estado do Rio de Janeiro registrou queda de -19,3%, São Paulo de -15,7%, Distrito Federal de -15,1%, Rio Grande do Sul de -14,5%, Minas Gerais de -10,7, e Paraná de -9,6%. Apenas o Estado de Rondônia registrou alta, com um aumento de 3% nos nascimentos no período.