Ao visitar o Cais das Artes pela primeira vez na última sexta-feira (10), após a aguardada inauguração do complexo cultural na Enseada do Suá, em Vitória, um influenciador digital do Espírito Santo passou por uma situação inusitada. Matheus Simão ficou preso por cerca de 20 minutos no banheiro do local, depois de a tranca da porta emperrar. Ele só conseguiu sair após resgate dos bombeiros e compartilhou o perrengue com humor em suas redes sociais (veja vídeo acima).
Um dia após o incidente, o Cais das Artes amanheceu fechado para público, sem aviso prévio. Em breve comunicado em um a rede social, o perfil do complexo anunciou uma "pausa para uma manutenção interna" e informou que os ingressos emitidos para o sábado (11) são válidos para outros dias, diz a nota. Não há informações se há qualquer relação com o ocorrido com Matheus Simão.
O influenciador conta que o caso aconteceu por volta das 15h, quando ele e seu videomaker foram direcionados para o banheiro adaptado externo por uma funcionária do Cais das Artes. Segundo ela, o banheiro masculino principal estava passando por higienização. Logo depois de entrar e trancar a porta, ele já percebeu que não iria conseguir sair, porque a porta emperrou.
Em conversa com A Gazeta, o influenciador conta que optou por não forçar a fechadura. Assim que a ajuda chegou, ele passou a chave por debaixo da porta, mas nem isso funcionou. "Fiquei com medo de eu ficar forçando e, de repente, quebrar a chave", explicou.
Além da equipe de segurança do Cais das Artes, os bombeiros também foram acionados e iniciaram as tentativas de resgate. Inicialmente, tentaram abrir com chutes na porta, o que também não foi suficiente.
"A porta, de fato, é uma porta muito forte. Então, tanto eu chutando do lado de dentro quanto o segurança chutando do lado de fora não resolveu muito", detalhou o influenciador.
No vídeo que compartilhou na internet, Matheus mostra imagens do resgate que foram feitas pelo seu videomaker, que acompanhou os trabalhos. Matheus só conseguiu sair depois do uso de um pé de cabra.
Apesar do susto, o influnciador fez questão de ressaltar que encara o episódio com bom-humor, como algo comum em estruturas recém-inauguradas, como é o caso do Cais das Artes. "Eu compreendo que é uma obra recém-entregue e isso pode acontecer. Ficar preso no banheiro é algo normal de porta emperrada. Mas o Cais está muito lindo e a exposição está muito bonita", relatou.
Os primeiros espaços do complexo cultural projetado pelo renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha foram entregues à população no dia 2 deste mês, após 16 anos em obras. O vencedor do Prêmio Pritzker morreu em 2021, aos 92 anos, sem ver o complexo concluído. Atualmente, está em cartaz no museu a exposição “Amazônia”, do fotógrafo Sebastião Salgado.
A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) foi procurada para explicar o incidente, mas não deu retorno até a publicação desta matéria. O Corpo de Bombeiros também foi demandado, mas não houve resposta.
Cais segue em obras
O desenho original do complexo cultural prevê um teatro com 600 metros quadrados, com 1,3 mil lugares, e um museu com espaço de 2,3 mil metros quadrados. Além disso, o Cais das Artes deve contar com auditório para 225 pessoas, salas de exposições, biblioteca, cantina, recepção, cafeteria e espaços para espetáculos e exposições ao ar livre. Apenas a área do museu foi entregue.
A obra do Cais das Artes começou oficialmente em 2010, no fim do segundo mandato do então governador Paulo Hartung. O investimento total seria de R$ 115 milhões. A previsão inicial de entrega do empreendimento era para 2012, mas uma série de contratempos e judicializações resultou no atraso da obra.
Em 2013, um novo contrato foi firmado para continuidade das obras. Porém, em 2015, foram constatadas irregularidades na execução do projeto, inclusive com pagamentos indevidos. Já em 2023, oito anos depois da paralisação e dois anos após a morte do arquiteto Paulo Mendes da Rocha (autor do projeto), Casagrande anunciou a retomada diante do acordo judicial com o consórcio Andrade Valladares-Topus, prometendo a entrega do espaço até janeiro de 2026.
À época, o governo do Estado divulgou que seriam desembolsados R$ 183 milhões para as operações, sendo R$ 20 milhões para recuperação e limpeza do canteiro de obras e R$ 163 milhões para as demais atividades. Até ali, já haviam sido pagos R$ 56 milhões à Santa Bárbara, primeira empresa que executou a obra, e outros R$ 76 milhões destinados para o Consórcio Andrade Valladares-Topus para a parte do projeto que foi executada até a paralisação de 2015.
A previsão é que o teatro seja entregue até dezembro deste ano, encerrando as intempéries que marcaram as obras com a inauguração completa do complexo cultural.