Inaugurado em julho de 2021, o heliponto do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue — antigo São Lucas), em Vitória, não está homologado para receber helicópteros. O fato foi descoberto pela reportagem de A Gazeta após, na segunda-feira (27), o governo do Espírito Santo informar que o heliponto da Rodoviária de Vitória voltou a receber pousos noturnos. A medida, segundo o governo, tem como objetivo atender pacientes e ocorrências de acidentes.
Como o Heue é referência em atendimento a vítimas de traumas na Grande Vitória, a reportagem questionou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) sobre o motivo de o helicóptero não pousar diretamente na unidade, que possui o único heliponto suspenso do Estado, o que poderia agilizar o atendimento ao evitar o transporte terrestre, já que o paciente não precisaria continuar o trajeto em uma ambulância, como acontece quando o heliponto está longe do hospital.
Em consulta ao site do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a reportagem de A Gazeta identificou dois helipontos ativos na capital — entre eles o da rodoviária —, mas o do hospital não consta na lista.
Helipontos ativos no Espírito Santo:
- Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves - Serra;
- Residência oficial - Vila Velha;
- Praia da Costa - Vila Velha;
- Rodoviária - Vitória;
- Vem Sonhar Comigo - Guarapari;
- Grotta Del Caravaggio - Santa Teresa;
- Cel PM Cícero Dantas dos Santos (hangar do Notaer) - Vitória;
- Comercial Scardua - Serra;
- Guidoni - São Domingos do Norte;
- Ita Belém - Vargem Alta;
- Zocar Castelo - Castelo;
- Área de apoio administrativo de Fuzileiros Navais em Itaóca - Itapemirim;
- Wave Iriri Anchieta - Anchieta;
- PeterFrut - Venda Nova de Anchieta;
- N&F - Serra.
Em nota, a direção do hospital informou que a construtora inicialmente responsável por conduzir o processo de homologação do heliponto não concluiu as etapas necessárias para sua finalização.
“Em decorrência disso, está em andamento a contratação de empresa especializada para dar continuidade e concluir o processo”, destacou a Sesa.
A pasta ressaltou, no entanto, que a situação não impede pousos eventuais pelo Notaer em área não homologada. “Uma vez que há previsão em procedimento operacional padronizado em regulamentação aeronáutica sobre esse tipo de operação de forma segura e controlada. Além disso, o próprio Notaer realiza fiscalizações periódicas no local, garantindo o cumprimento dos requisitos operacionais e de segurança”, acrescentou.
O Núcleo de Operações e Transportes Aéreo (Notaer), responsável pela remoção de pacientes via helicóptero, também foi procurado pela reportagem sobre o motivo do resgate não ser finalizado diretamente no heliponto do hospital, ao invés da rodoviária, mas até a publicação da matéria não se pronunciou.