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Em extinção

Fêmea filhote de gato-maracajá é resgatada e passará por cirurgia em Vitória

A filhote de espécie de gato silvestre que habita a América Latina, e está em extinção, foi resgatada depois ser atacada por cachorros. Animal passará por cirurgia no fêmur

Publicado em 16 de Março de 2022 às 12:10

Daniel Pasti

Publicado em 

16 mar 2022 às 12:10
Filhote de gato-maracajá foi atacada por cachorros e passará por uma cirurgia em Vitória
Filhote de gato-maracajá foi atacada por cachorros e passará por uma cirurgia em Vitória Crédito: Arquivo Pessoal
Uma fêmea filhote de gato-maracajá foi resgatada depois de ser atacada por cachorros em Conceição da Barra, no Norte do Estado. O animal, cujo nome científico é Leopardus wiedii e integra a lista de espécies em extinção, teve o fêmur quebrado no ataque e terá de passar por uma cirurgia em Vitória nesta quinta-feira (17), na qual será colocada uma placa de titânio na pata.
O responsável pelo procedimento será Diogo Garnica, médico veterinário especialista em Ortopedia e Traumatologia animal pela Universidade de São Paulo (USP). Ele contou que a Grande Vitória possui muitos lugares onde o ser humano se aproxima muito da natureza e, por isso, episódios como esses acontecem. 
O filhote teve o fêmur quebrado por conta do ataque e será operado nesta quinta (17)
O filhote teve o fêmur quebrado por conta do ataque e será operado nesta quinta (17) Crédito: Arquivo Pessoal
Diogo Garnica explicou que a mãe e a filhotinha foram atacadas por cachorros domésticos. A mãe fugiu e o bichinho acabou sendo alvo dos cães. Ela foi resgatada por uma equipe do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) Segundo o médico veterinário, trata-se de um procedimento complexo por conta do tamanho do exemplar e da gravidade da lesão.
"É uma cirurgia extremamente complexa pelo tamanho do indivíduo, que tem 600 gramas. E demanda toda uma equipe, tem anestesista, cirurgião auxiliar, instrumentador. Os implantes são de tamanhos especiais, de titânio. Tem que ser implante que tenha ósseo-integração, porque vai ficar ali para o resto da vida dela", disse.
A cirurgia, segundo Diogo Garnica, é complexa por causa do tamanho do animal
A cirurgia, segundo Diogo Garnica, é complexa por causa do tamanho do animal Crédito: Arquivo Pessoal
De acordo com Diogo Garnica, o tempo de recuperação da cirurgia é de até 60 dias. Depois disso, ainda há o processo de reintegração do animal à natureza para, em seguida, ser o bichinho ser soto em seu habitat natural.
"Tudo dando certo com a cirurgia, em torno de 60 dias já está consolidado. Aí os médicos veterinários, os biólogos, vão preparar esse animal para poder soltar. Tem uma fase de adaptação, que vai ensinar a viver em vida livre dentro do ambiente deles, na mata. Vão ensinar a caçar, a se alimentar sozinho. Eu acredito que em torno de quatro meses, estando adaptado, eles escolhem um local e fazem a reintrodução no meio ambiente", pontuou.

ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

Diogo Garnica pontuou que a recuperação desse exemplar de gato-maracajá é extremamente importante, por se tratar de uma fêmea e trazer uma grande chance de reprodução e, assim, repopulação da espécie. O médico veterinário já fez várias operações complexas, como um procedimento na tíbia de um gavião em setembro de 2020, destaca a importância de que seja um procedimento bem feito.
"É de uma importância muito grande, porque é uma espécie em extinção, têm algumas poucas unidades espalhadas pelo país, se concentram mais ao Sul e também no Paraguai, Uruguai e Argentina. E é uma fêmea, então o potencial é altíssimo para propagação da espécie. A gente tem que fazer um trabalho muito bem feito, estabilizar bem essa fratura, colocar um implante especial para que a gente não tenha que remover depois", argumentou.

GATO-MARACAJÁ: SAIBA MAIS SOBRE A ESPÉCIE

O mestrando em Biologia Animal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Daniel Gosser Motta, explicou que a espécie Leopardus wiedii é conhecida como "gato-maracajá" ou "gato-peludo". O felino pode chegar a medir 1 metro de comprimento, pesar 5 kg e vive em média por 13 anos.
Segundo o biólogo, são animais que possuem hábitos noturnos arborícolas, ou seja, vivem em galhos e copas de árvores. Alimentam-se principalmente de pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e aves, mas a preferência deles é em caçar nas árvores, devorando majoritariamente saguis e pássaros.
Espécie está em extinção no Brasil
Espécie está em extinção no Brasil Crédito: Arquivo Pessoal
O animal, porém, corre risco de extinção. E os principais fatores, segundo Daniel Motta, são relacionados à ação humana: a caça e o desmatamento.
"Ocorrem do norte do México até o Uruguai e, no Brasil, são encontrados principalmente nos biomas da Amazônia e Mata Atlântica. É classificado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na categoria 'vulnerável' a extinção, principalmente por serem alvos de caçadores, além de sofrerem com a perda de habitat devido ao desmatamento", disse.

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