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Publicado em 17 de dezembro de 2024 às 12:00
O Espírito Santo virou destaque em uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Com uma foto que mostra a Baía de Vitória e a Terceira Ponte, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) emitiu um aviso para quem precisar vir a terras capixabas, devido à Febre Oropouche. No post do Instagram, o órgão fala que o vírus tem sido associado a perdas fetais e deficiências congênitas, e pede que grávidas discutam os planos de viagem com seus médicos. >
No site da agência, há uma página específica sobre o vírus Oropouche no Espírito Santo, com o estado destacado no mapa e a legenda de que há um elevado número de casos aqui. >
O órgão ainda fala que há um surto do vírus no Espírito Santo, e orienta que todos os viajantes se previnam contra picadas de insetos e considerem usar preservativos ou não praticarem relação sexual durante a viagem e seis semanas após retornarem. Isso porque, segundo a agência, o vírus foi encontrado no sêmen, mas não se sabe se ele pode ser transmitido através do sexo. Lembrando que não há registro de caso de transmissão sexual do vírus Oropouche.>
Para grávidas, a preocupação do órgão é maior. A agência orienta que gestantes reconsiderem viagens não-essenciais ao Espírito Santo e, se for inevitável, que elas sigam rigorosamente as recomendações de prevenção do vírus Oropouche.>
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No último dia 10, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou o primeiro bebê nascido no Estado com anomalias congênitas associadas à transmissão da Febre Oropouche. A criança nasceu em 16 de novembro e teve diagnóstico de microcefalia – uma condição em que a cabeça do bebê é significativamente menor do que o esperado, muitas vezes devido ao tamanho reduzido do cérebro.>
O caso foi registrado na Grande Vitória, contudo, o município exato não foi informado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Sem dar outros detalhes, a pasta informou que a mãe tem 23 anos e que o caso recebe acompanhamento. Outras 34 gestantes estão em monitoramento após confirmação da infecção pelo vírus.>
A Sesa também confirmou, na semana passada, a primeira morte em decorrência da Febre Oropouche no Espírito Santo. A vítima é uma mulher de 61 anos, moradora da zona rural de Fundão – Região Metropolitana de Vitória –, que sofria de hipertensão arterial. A morte ocorreu no dia 28 de agosto, mas a causa estava em investigação desde então. O nome da vítima não foi revelado.>
Outros dois óbitos também eram analisados pela secretaria estadual, sendo que um foi descartado e outro segue em análise. Até então, o Brasil registrava três mortes pela Febre Oropouche — as primeiras do mundo: sendo duas mulheres adultas, no interior da Bahia, e um óbito fetal em Pernambuco.>
Até o último boletim, com dados de até 7 de dezembro, o Estado contava com 2.976 casos confirmados, sendo a maioria em Alfredo Chaves (998), Iconha (429) e Laranja da Terra (262).>
A Febre Oropouche é causada por um vírus, que dá nome à doença, sendo transmitida aos seres humanos pela picada do mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. A presença do mosquito está geralmente associada a regiões com maior umidade e presença de matéria orgânica.>
A doença pode ser transmitida por meio de dois ciclos diferentes: o silvestre e o urbano. No ciclo silvestre, animais como os macacos e bicho-preguiça são picados pelo mosquito e passam a hospedar o vírus; já no ciclo urbano, os humanos são picados e se tornam os hospedeiros.>
Se o mosquito picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no sangue do mosquito por alguns dias. Quando esse mosquito pica outra pessoa saudável, pode transmitir o vírus para ela.>
Os sintomas da Febre Oropouche são parecidos com os da dengue, chikungunya e febre amarela. Entre os principais, estão dores de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, náusea e diarreia.>
Como ainda não há tratamento específico para a doença, a recomendação para pacientes é que permaneçam em repouso, com acompanhamento médico diante dos sintomas apresentados.>
Para a prevenção, o ideal, se possível, é evitar áreas onde há muitos mosquitos. Do contrário, é recomendado o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, contando ainda com a aplicação de repelente nas áreas expostas da pele. Também é importante manter a casa limpa, removendo possíveis criadores de mosquitos, como água parada e folhas acumuladas.>
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