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Educação

Especialistas não aprovam enquete para definir datas do Enem 2020

A avaliação é de que o adiamento do exame nacional decorre  de uma medida sanitária, para evitar a contaminação, orientada por organizações de saúde, e que não deve ser tomada por estudantes

Publicado em 20 de Maio de 2020 às 20:20

Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 mai 2020 às 20:20
Piloto do Enem Digital pode ter 100 mil participantes, diz ministro
Aulas remotas para estudantes Crédito: Agência Brasil/EBC
Para especialistas da educação, a enquete a ser feita com os participantes do Enem 2020 para definir a nova data da prova é “uma irresponsabilidade do governo federal”. Destacam que o adiamento da prova é necessário por uma questão de saúde, a pandemia do novo coronavírus, e que esta responsabilidade não pode ser transferida para estudantes.
adiamento do Enem 2020 foi anunciado pelo Ministério da Educação (MEC)  e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), na tarde desta quarta-feira (20), após o governo enfrentar questionamentos judicias cobrando o adiamento da prova por causa dos efeitos da pandemia e que levaram escolas a suspender as aulas presenciais.
Um debate que chegou Congresso Nacional nesta terça-feira (19), quando o Senado aprovou projeto que adia automaticamente as provas que dão acesso aos cursos de graduação, entre as quais o exame nacional. Uma enquete com os participantes irá escolher as novas datas entre 30 a 60 dias após o previsto. No cronograma anterior, a versão digital seria em 22 e 29 de novembro e a prova tradicional em 1º e 8 de novembro.
Para a doutora em Educação e Professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Cleonara Maria Schwartz, o governo federal postergou uma decisão que já deveria ter sido tomada já no contexto da pandemia. “A prova precisa ser adiada até que a vida volte a sua normalidade, que os alunos possam retomar as aulas”, assinala.
O professor de história e secretário de relações étnico-raciais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Adriano Albertino, considera a decisão uma “irresponsabilidade”. “O objeto de origem desta enquete é uma questão de saúde que não pode ser submetida a uma pesquisa. As organizações mundiais da saúde orientam para a suspensão das aulas, para não haver o risco de contaminação”, assinala.
A opinião dos estudantes é importante, segundo Albertino, mas ela não pode ser utilizada para postergar decisões do governo. “Não pode agora os estudantes, que não são especialistas em saúde, tomarem esta decisão. É uma tentativa de tirar a responsabilidade, que é deles, de adiar a prova”, acrescenta.
Cleonara observa ainda que nem todos os participantes do Enem 2020 estão tendo as mesmas oportunidades de se preparar para o exame. “Por mais que algumas poucas famílias tenham condições de colaborar, contribuir com um ambiente organizado para o estudo, que deem apoio aos filhos, esta não é a realidade de todos os alunos. Há muitas famílias e estudantes enfrentando sérias dificuldades para manter a formação. Os próprios alunos já denunciaram que estão inseguros com a realização da prova”, relata.
Sem contar, observa Cleonara, que há o próprio estresse da pandemia, com o crescente número de casos e mortes que afetam a todos. “São jovens que já vivem um estresse muito grande pelos resultados da prova.  Neste momento, não só os alunos, mas professores, e familiares estão perdendo parentes, amigos. Uma situação frágil”, relata.

ESCOLAS PARTICULARES

O superintendente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), Geraldo Diório, considera que o adiamento do Enem 2020 foi a melhor alternativa para os alunos. “Vai permitir que eles tenham tempo para se preparar melhor”, assinala, ponderando ainda que a medida vai beneficiar também os alunos de escolas públicas.
A medida, no entanto, pondera, não pode inviabilizar o ano de 2020. Segundo Diório, todas as escolas privadas vão conseguir concluir o ano letivo em 2020. “Todas as escolas estão trabalhando firmemente para isto. Começamos com aulas remotas quatro dias após o decreto do governo estadual. Foi uma reinvenção das escolas”, assinala.

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