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Mudanças climáticas

ES é Estado com maiores extremos de frio e calor do Brasil, diz estudo

Pesquisa inédita da Unifesp revela que, somente nos últimos 40 anos, Estado quase triplicou a frequência de ondas de calor; especialistas apontam impactos ambientais e nos seres humanos

Publicado em 24 de Maio de 2023 às 08:25

Redação de A Gazeta

Publicado em 

24 mai 2023 às 08:25
Termômetros marcando 39 graus em Vitória no início da tarde desta segunda-feira (29)
Termômetros marcando 39ºC em Vitória  Crédito: Vitor Jubini
Um estudo inédito realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que o Espírito Santo é o estado do Brasil com maior impacto na frequência dos eventos extremos de temperatura do ar na costa do país. Apenas nos últimos 40 anos, o estado quase triplicou - um índice de 188% - a frequência das ondas de calor.
O estudo avaliou uma série histórica com dados de temperatura do ar observados a cada hora do dia ao longo dos últimos 40 anos em cinco regiões costeiras do país. São elas:
  • São Luís, no Maranhão
  • Natal, no Rio Grande do Norte
  • São Mateus, no Espírito Santo
  • Iguape, em São Paulo
  • Rio Grande, no Rio Grande do Sul
A partir dos dados coletados, pesquisadores do Instituto do Mar (IMar/Unifesp) envolvidos na pesquisa utilizaram modelos matemáticos para definir o que seriam extremos de temperatura para cada uma das regiões. Uma das conclusões foi o aumento da frequência de ocorrências de eventos extremos de frio e calor no Espírito Santo. 

188%

É a ocorrência de eventos extremos de temperatura no Espírito Santo nos últimos 40 anos
Além disso, o Espírito Santo tem apresentado aumento na intensidade da variação térmica diária – diferença entre temperaturas mínima e máxima do dia –, o que significa que é cada vez mais frequente encontrar dias cada vez mais variáveis na temperatura.
A pesquisa demonstra que está se tornando mais frequente encontrar temperaturas cada vez mais altas nas costas Sudeste e Sul do país.
Nos litorais do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e de São Paulo, a frequência de ocorrências diárias de extremos máximos de temperatura e das ondas de calor, caracterizada por dias consecutivos de extremos máximos de temperatura, também tem aumentado ao longo dos anos. Além disso, a frequência de ocorrências diárias e de eventos de ondas de frio no Espírito Santo tem aumentado.
Moradores registram frio na madrugada no Sul do ES
Moradores registram frio na madrugada no Sul do ES Crédito: Montagem | A Gazeta
"Identificamos o litoral do ES como a região mais afetada entre as que estudamos, pois além das ondas de calor, foi a única região onde a frequência de ondas de frio é cada vez maior"
Fábio Sanches - Autor da pesquisa e pós-doutorando pelo IMar/Unifesp
Nos últimos 40 anos, enquanto a ocorrência de eventos extremos de temperatura quase triplicou no Espírito Santo (188%), ela quase dobrou em São Paulo (84%) e dobrou no Rio Grande do Sul (100%).
O estudo mostrou ainda que o número de eventos por ano é variável, dependendo de condições específicas, como os fenômenos El Niño e La Niña. No entanto, a taxa de aumento de eventos extremos do Espírito Santo é, em média, de 4,7% ao ano, enquanto que em São Paulo é, em média, de 2,1% e, no Rio Grande do Sul, de 2,5% ao ano.

Impactos ambientais e nos humanos

Incêndio no Parque Paulo César Vinha, em Guarapari
Incêndio no Parque Paulo César Vinha, em Guarapari Crédito: Marcelo Nascimento | Iema
O coordenador da pesquisa, bolsista produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e professor do IMar/Unifesp, Ronaldo Christofoletti detalhou os impactos do aumento da frequência dos extremos de temperaturas.
"O aumento de ondas de calor e de frio tem vários impactos na sociedade em todo o mundo, que vão desde o desconforto térmico até o aumento de incêndios florestais, problemas de saúde e da mortalidade de animais, plantas e dos seres humanos, especialmente idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Estudos recentes demonstram um aumento de quase 70% na mortalidade de idosos devido ao calor intenso. Ao longo dos últimos anos, foram vários casos de mortalidade por ondas de calor, como os vistos na Espanha, no Canadá e em Portugal, por exemplo", disse.
Segundo o autor da pesquisa, Fábio Sanches, os impactos das variações de temperatura também impactam a biodiversidade das regiões mais afetadas.
"Diversas espécies de animais marinhos têm apresentado alterações fisiológicas, de mudança de comportamento e até da distribuição de onde vivem em função das ondas de calor e frio. Eventos extremos de temperatura podem ocasionar mortalidade em massa de recursos pesqueiros e influenciar as cadeias de pesca, especialmente, as da pesca artesanal"
Fábio Sanches - Autor da pesquisa e pós-doutorando pelo IMar/Unifesp
Além dos recursos pesqueiros, Ronaldo Christofoletti pontuou que o agronegócio brasileiro está ameaçado por estas variações. "A produtividade é dependente do ciclo anual de temperatura e chuva, e as alterações de extremos e de amplitude térmica podem baixar a produtividade, a qualidade da produção ou mesmo levar a perda da safra", explicou. 
Ele cita que especialmente no Sul do país, com os dados de que as temperaturas mínimas estão cada vez mais altas, pode haver uma alteração do sistema produtivo nas próximas décadas.

Sobre o estudo

Com a pesquisa, foi possível observar como a frequência e a intensidade dos índices de temperaturas mínima e máxima, a variação da amplitude térmica ao longo do dia e as mudanças abruptas de temperatura entre dias consecutivos variam em cada região e época do ano.
Intitulado "The increase in intensity and frequency of surface air temperature extremes throughout the western South Atlantic coast", o estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports no dia 25 de abril de 2023.
O estudo mostrou ainda que toda a costa brasileira já está sofrendo algum impacto das mudanças climáticas em relação à temperatura do ar, com os litorais das regiões Sudeste e Sul sendo mais impactadas do que das regiões Norte e Nordeste onde, apesar de existirem extremos de temperatura ao longo de todo ano, eles não estão aumentando em frequência ou intensidade.
Para a secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), Ana Toni, as mudanças dos padrões de eventos extremos na costa brasileira são um sinal importante de alerta para a vulnerabilidade climática do Brasil como um todo.
"Este estudo confirma que a emergência climática não é futurologia e sim parte de uma realidade que temos que enfrentar, combatendo suas causas com ações concretas de mitigação e com políticas públicas eficazes de adaptação"
Ana Toni - Secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA)

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