Juninho, ex-prefeito de Cariacica, já passou pela cirurgia na cabeça, em São Paulo, para a retirada de um tumor no crânio. Como revelado com exclusividade por A GAZETA, o empresário foi diagnosticado com o tumor D33.3 em fevereiro deste ano.
Ele gravou um vídeo e publicou na rede social tranquilizando os seus seguidores. "Acordei agora e está tudo bem. Não ficou quase nada torto, amanhã a gente começa a fisioterapia e a anestesia está passando".
Juninho ainda revelou que a cirurgia durou mais do que quatro horas. "Hoje serei liberado para o quarto. A cirurgia foi um sucesso e mais demorada, devido a uma surpresa ao abrir e ver o tumor. Hoje estou mais lúcido", disse. Ele vai ficar em São paulo durante 15 dias.
O tumou, conhecido como schwannoma vestibular, é uma formação benigna que se origina na bainha do nervo responsável pela audição e pelo equilíbrio. Apesar de não ser maligno, pode causar diversos sintomas que impactam a qualidade de vida do paciente.
O sinal mais comum é a perda auditiva, mas também podem ocorrer zumbido, tontura e cefaleia. Em casos mais avançados, quando o tumor atinge maior volume, podem surgir manifestações como paralisia facial, alterações de sensibilidade na face e até incoordenação motora.
O neurocirurgião Rodrigo Azeredo Costa conta que na maioria das situações, o schwannoma vestibular surge de forma esporádica, sem relação hereditária. “No entanto, há casos associados a síndromes genéticas, como a neurofibromatose tipo II, que aumentam a predisposição ao desenvolvimento do tumor”.
A decisão pelo tratamento cirúrgico depende de fatores como o tamanho do tumor, a idade do paciente e os sintomas apresentados. “Quando há indicação de intervenção, a abordagem mais comum é a microcirurgia, que envolve a abertura do crânio para remoção da lesão. Em algumas situações específicas, a radiocirurgia - técnica que utiliza radiação localizada sem necessidade de cortes - pode ser considerada”, explica o especialista.
A cirurgia pode ser necessária em diferentes cenários, como para aliviar compressões de estruturas neurológicas, tentar preservar a audição em tumores menores, tratar casos em que houve crescimento tumoral durante acompanhamento ou esclarecer dúvidas diagnósticas por meio de análise histopatológica.
“Embora complicações como paralisia facial e dificuldade para se alimentar possam ocorrer, especialmente em tumores maiores devido à proximidade com nervos importantes, esses quadros não são comuns. Quando presentes, podem ser reversíveis ou demandar procedimentos de reabilitação”, pontua Rodrigo Azeredo Costa.
A recuperação costuma ser rápida, com alta hospitalar entre dois e quatro dias. “O acompanhamento inclui fisioterapia voltada à reabilitação vestibular e auditiva, além da realização de exames de imagem para avaliar o resultado da cirurgia. Em geral, não há necessidade de tratamentos oncológicos complementares após a remoção do tumor”, conclui.