Primeiros sintomas
- Na manhã do dia 24 de abril de 2023, dois dias antes de sua morte, Yasmin acordou com coriza, tosse, garganta inflamada e dores no peito. Preocupada com a saúde da filha, a mãe de Yasmin, Maria Cristina Nass, foi com ela até o Hospital Maternidade Cristo Rei, no Centro de Boa Esperança. No local, a jovem foi consultada por Ethevaldo, que solicitou um exame de raio X do tórax da menina, a liberando logo em seguida.
Sem melhora, jovem retornou ao hospital
- No dia seguinte, Yasmin desmaiou e a mãe retornou com ela ao hospital, onde foi novamente atendida por Ethevaldo. Na segunda consulta, Yasmin tomou soro e o médico alegou que a jovem estava bem, mas que deveria ser atendida por um neurologista, já que, de acordo com ele, os sintomas dela seriam neurais.
- No decorrer do dia, Yasmin teve uma piora no quadro clínico. Segundo a mãe, a filha sofreu outro desmaio no final da tarde, sendo levada às pressas para o mesmo hospital da cidade.
Encaminhamento para outro hospital
- Segundo a mãe de Yasmin, enquanto era examinada, a jovem estava ficando com uma coloração roxa na pele. Diante disso, Maria Cristina pediu para que a filha fosse encaminhada ao Hospital Roberto Silvares, em São Mateus.
- Por volta das 21h do dia 25 de abril, Yasmin foi levada, em emergência, ao hospital solicitado pela mãe. Segundo Maria Cristina, a filha foi transportada em uma ambulância simples, sem oxigênio, dopada de remédios, e sem a assistência necessária da enfermeira que a acompanhava.
- Ao chegar em São Mateus, a equipe médica do Roberto Silvares percebeu que Yasmin já estava em coma. No local, a jovem passou por testes de Covid-19 e dengue, que deram negativo.
- Sem apresentar melhoras, a adolescente foi intubada e foram feitas tentativas de reanimação. Contudo, na madrugada do dia 26 de abril, Yasmin não resistiu e foi a óbito.
- No laudo de exame necroscópico da adolescente, consta que a garota foi diagnosticada com edema cerebral e pulmonar, além de distúrbios metabólico, ácido básico e hidroeletrolítico. A causa da morte da adolescente, porém, não foi determinada.
Indignação e busca por justiça
- Sem concordar com a postura adotada por Ethevaldo, os familiares de Yasmin buscaram pela Justiça e situação passou por investigação pela Delegacia de Polícia de Boa Esperança, que concluiu o inquérito indiciado Ethevaldo pelo crime de homicídio culposo por negligência médica.
Ministério Público intervém
- Diante do inquérito policial, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que ofereceu denúncia em face de Ethevaldo. Segundo o MPES, "a denúncia tramita na Justiça e o MPES atua para obter a condenação do réu com base nas provas descritas nos autos".
Se denunciado, médico pode ser investigado pelo CRM
- A reportagem também procurou o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), que comunicou que o Tribunal de Ética do CRM-ES só pode atuar se for provocado, assim como todo órgão judicante. "Se a denúncia foi ou for feita ao CRM-ES, ele vai apurar, abrindo sindicância e, caso se avalie que há indícios de falta ética, pode ser aberto um processo", acrescentou o órgão.
- O CRM-ES informou, ainda, que as punições, quando o médico é condenado, variam de uma advertência confidencial em aviso reservado à cassação do exercício profissional.
O que dizem as secretarias de saúde?
- Procurada por A Gazeta, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou, em nota, que não divulga informações (prontuário) relacionadas a cidadãos ou pacientes atendidos pelas equipes da rede estadual em observância à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), bem como ao princípio da liberdade e da privacidade. "As informações são repassadas exclusivamente para a família", finalizou.
- A Prefeitura de Boa Esperança, por meio da Secretaria de Saúde do município, comunicou que o hospital tem uma empresa responsável pela contratação dos profissionais, onde os mesmos são médicos plantonistas não fixos. A reportagem procurou o Hospital e Maternidade Cristo Rei para mais informações. Assim que houver retorno, o texto será atualizado.
O que diz a defesa do médico
Leia a nota da defesa na íntegra:
O inquérito policial é um procedimento unilateral, inquisitivo e que, portanto, não teve mínima participação da defesa. O indiciamento pela Polícia Civil do médico não gera nenhuma surpresa, principalmente pelas circunstâncias do fato apurado.
A denúncia oferecida pelo Ministério Publico, para ser recebida, necessita de mínimos elementos de autoria e materialidade delitiva, diferentemente de uma condenação criminal proferida somente após toda a tramitação do processo criminal, que necessita de provas robustas, hábeis e suficientes para tal desiderato.
Mesmo em vigor o princípio da presunção de inocência, já vem havendo há meses um linchamento moral e profissional, inclusive com ameaças em desfavor do referido médico. Estamos confiantes no Poder Judiciário, donde será possível a produção de provas que atestem o correto procedimento adotado pelo profissional, atrelado a outras provas e fatos correlatos ao episódio, que serão comprovados ao seu tempo e modo.