Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Fisioterapeuta Thainan Pablo Badaró Sarmento
Fisioterapeuta Thainan Pablo Badaró Sarmento Geraldo Neto | Arte A Gazeta
ProfissõES na Pandemia

"É angustiante", diz fisioterapeuta do ES sobre olhar de paciente ao ser intubado

A Gazeta conta a rotina do fisioterapeuta Thainan Pablo Badaró Sarmento, que atua no combate ao coronavírus em hospitais da Grande Vitória e ficou quatro meses sem ver a mãe

Caique Verli

Repórter

Publicado em 10 de Setembro de 2020 às 08:17

Publicado em

10 set 2020 às 08:17
Fisioterapeuta Thainan Pablo Badaró Sarmento
Fisioterapeuta Thainan Pablo Badaró Sarmento Crédito: Geraldo Neto | Arte A Gazeta
A vida do fisioterapeuta Thainan Pablo Badaró Sarmento, que concluiu a graduação no final de 2019 e trabalha em dois hospitais, mudou desde março, quando a pandemia  do coronavírus começou a ganhar força no Espírito Santo. Hoje, em setembro, o movimento nos hospitais em que ele trabalha está mais tranquilo, mas quando a reportagem de A Gazeta conversou com ele pela primeira vez, no fim de junho, a situação era bem diferente. 
Nesses meses difíceis, além da rotina de trabalho, ele enfrentou a saudade. Thainan ficou quatro meses sem ver a mãe - há poucos dias a reencontrou - e tenta manter o máximo de distância da avó, mesmo morando com ela. 

A PANDEMIA

Em março, começou uma imensa dedicação para ajudar na recuperação de pacientes graves que foram contaminados pelo coronavírus.
"Estou com muita saudade de todo mundo. Fiquei quatro meses sem ver a minha mãe", conta Thainan, que mora com a avó e evita visitar a mãe para preservá-la, já que ela tem doenças reumáticas.
"Moro com a minha avó, mas fico totalmente isolado no meu quarto e sem contato físico. Entro por uma porta diferente. Se vou comer na cozinha, aviso para ninguém estar lá e uso máscara", relatou o fisioterapeuta, no auge da pandemia no Estado. 
Thainan é um dos profissionais responsáveis por manter as atividades essenciais em funcionamento no Espírito Santo e, por isso, tem parte da sua história contada na série de reportagens "ProfissõES na Pandemia", publicada por A Gazeta.
Durante a semana (e em muitos fins de semana), Thainan se divide entre dois hospitais, um em Vila Velha e o outro em Cariacica, em uma rotina muito corrida, que começa pouco antes do meio-dia e só vai terminar às 23h. Agora, com o número de mortes em queda no Estado, ele respira um pouco mais aliviado. 
"Atualmente, muita coisa mudou. Os casos nos hospitais que eu trabalho têm diminuído bastante, graças a Deus. Tem sido mais tranquilo."
Thainan Pablo Badaró Sarmento - Fisioterapeuta

IMPORTÂNCIA DO FISIOTERAPEUTA

Muita gente não sabe, mas Thainan e todos os outros fisioterapeutas que atuam em hospitais têm um papel fundamental nas unidades de tratamento intensivo, ainda mais se tratando de uma doença nova, como a Covid-19.
"É uma coisa nova. Óbvio que os profissionais mais experientes conseguem lidar melhor, mas é tudo novo para todo mundo, entendeu? Estamos tudo no mesmo barco, descobrindo as coisas juntos. É uma loucura", comenta.
O fisioterapeuta acompanha praticamente todo o tratamento do paciente em estado grave, sendo responsável por várias etapas, como o auxílio na intubação e a recuperação da capacidade respiratória do doente.
"Um dos momentos mais marcantes é o de pré-intubação: quando está aplicando a sedação no paciente e percebe a angústia no olhar dele, que pensa: 'posso não voltar, né?'. É angustiante, é marcante e, às vezes, não volta mesmo e morre"
Thainan Pablo - Fisioterapeuta
"Já teve momento que entrei no box do paciente, ele muito grave e você sente a energia pesada. É claro que é uma questão de adaptação, mas nem sempre a gente consegue ser forte", relata o Thainan.

PROJETO QUER AUMENTAR TEMPO EM UTI

Uma resolução da Anvisa de 2010 e ainda em vigor diz que as UTIs devem contar com pelo menos um fisioterapeuta nos turnos matutino, vespertino e noturno, em um total de 18 horas.
Esse profissional, no entanto, é tão importante que um projeto de lei quer determinar a permanência de fisioterapeutas em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) adulto, pediátrico e neonatal 24 horas por dia. O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados em junho e ainda está em discussão no Senado Federal.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados