Publicado em 28 de março de 2023 às 12:09
A família de Miqueias Ferreira Caetano, de 11 anos, que mora no bairro Jardim Planalto, em Pinheiros, no Norte do Espírito Santo, chora a morte do menino, na madrugada do último domingo (26), vítima de uma pneumonia. Em entrevista à reportagem de A Gazeta, a mãe, a dona de casa Vanuza Ferreira dos Santos, de 43 anos, acusa o Hospital Municipal de Pinheiros de negligência no atendimento ao filho dela.>
A dona de casa disse que percebeu que Miqueias estava com febre e tosse forte na segunda-feira da semana passada, dia 20 de março. A mãe cuidou do menino e ele melhorou por algumas horas, mas voltou a passar mal no dia seguinte, com os mesmos sintomas. Na quinta-feira (23), Vanuza levou a criança para uma unidade de saúde do bairro. Na sexta-feira (24), diante da piora do quadro de saúde, levou a criança ao Hospital Municipal de Pinheiros.>
"Eu vi que ele continuava cansado, mas percebi que ele segurava a tosse. Eu não sabia o que era. Cheguei ao hospital por volta de 7h na sexta-feira para fazer a ficha dele. Precisamos esperar pelo atendimento até por volta de 11h. Uma médica realizou a consulta, mas não levantou nem para tocar um dedo no meu filho. Apenas observou que ele estava cansado.>
Vanuza Ferreira dos Santos
Dona de casa, mãe de MiqueiasVanuza contou ainda que o estado de saúde de Miqueias piorou no sábado (25) e disse chegou a ver o menino expelir sangue ao tossir. “A pneumonia estava avançada. Fui ao hospital de novo, os médicos viram que ele tinha tido um princípio de parada cardíaca”, contou. >
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Ela disse que foi novamente com Miqueias para o hospital, por volta de 16h, e reclama que a ambulância do Samu chegou apenas após as 19h para fazer a transferência da criança para outra unidade hospitalar – que seria necessária, diante da gravidade do caso. A família acionou a Polícia Militar para relatar o atraso, mas a equipe do Samu já estava no local quando os policiais chegaram. Mesmo assim, a dona de casa disse que deu informações à PM sobre a demora para registro da ocorrência.>
"O Samu chegou por volta de 19h. Os médicos disseram que não poderiam tirar meu filho do hospital porque ele poderia morrer na estrada. Eu entrei no quarto para ver o meu filho, vi ele sendo entubado. A equipe do Samu me chamou e explicou que teria que levar ele para Colatina, mas afirmaram que não tinham como garantir que ele chegaria lá com vida”, falou a mulher.>
Miqueias foi levado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica em Colatina. A mãe relatou para A Gazeta que o filho sofreu paradas cardíacas e não resistiu. “Eu não aguentava nem ver ele cheio de aparelho para respirar. Meu filho morreu por volta de 5h, após quatro paradas cardíacas”, comentou.>
O enterro do menino aconteceu nesta segunda-feira (27), em Pinheiros. Ele tinha um irmão gêmeo chamado Samuel e outros três irmãos. “Miqueias era um menino muito amado por todos. Ele nunca passou por isso, não ficava doente. Sempre ia à escola, era presente na igreja. É uma dor muito grande acordar e não ver ele”, finalizou a mãe, emocionada. >
A reportagem de A Gazeta procurou a Polícia Militar e a Polícia Civil para obter mais informações sobre o caso e saber se há uma investigação em andamento, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.>
Em relação à acusação de negligência e ao relato da mãe de Miqueias sobre a profissional que atendeu o menino no hospital municipal, a Prefeitura de Pinheiros informou que tomou conhecimento da denúncia da família, e, "de imediato, a médica foi dispensada e não mais compõe o quadro clínico de Pinheiros. Ela era contratada via empresa terceirizada conveniada à prefeitura. A empresa foi comunicada sobre o ocorrido para as providências cabíveis", disse, em nota enviada à reportagem de A Gazeta.>
A Prefeitura de Pinheiros também emitiu uma nota de esclarecimento sobre o caso nas redes sociais, alegando que "não faltaram esforços de toda a equipe, equipamentos ou medicamentos para o atendimento. Vários profissionais foram mobilizados. Além dos médicos que estavam de plantão, foram convocados mais dois para o apoio emergencial. Enfermeiros e Técnicos se voltaram 100% para o amparo do atendimento, contando com a ajuda até do Diretor do Hospital que é Enfermeiro de formação e passou a atuar junto com a equipe", iniciou.>
Na nota (veja acima na íntegra), a administração municipal menciona atraso da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para chegar ao Hospital de Pinheiros e realizar a transferência da criança, e reforça que vai cobrar do governo do Estado que apure a situação "Por ser órgão de responsabilidade direta do Estado, iremos encaminhar um relatório ao governo do ES para que apurem o ocorrido e responsabilizem quem for necessário, para que providências sejam tomadas e tal situação não mais se repita", concluiu.>
Sobre a alegação de atraso da equipe do Samu para atender Miqueias – da mãe do menino e da Prefeitura de Pinheiros –, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) informou que "até a chegada da ambulância de suporte avançado ao hospital, a equipe médica que acompanhou a criança recebeu todas as orientações sobre a necessidade de estabilização do quadro de gravidade da criança para o transporte", iniciou, em nota enviada à reportagem.>
A Sesa esclareceu ainda que, o chegar ao hospital, a equipe do Samu realizou os procedimentos de estabilização para realizar a transferência ao hospital de referência, com a garantia da melhor assistência ao paciente.>
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