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Prejuízo nas encomendas

Correios encerram voo de cargas no ES em meio a crise após taxa das blusinhas

Estatal confirma cancelamento de contrato com a Total Linhas Aéreas, que fazia rota da Rede Postal Noturna (RPN), no Aeroporto de Vitória

Publicado em 23 de Abril de 2025 às 19:00

João Barbosa

Publicado em 

23 abr 2025 às 19:00
Os Correios não têm mais voos da Rede Postal Noturna (RPN) no Espírito Santo. O serviço chegou ao fim com o encerramento do contrato entre a estatal e a Total Linhas Aéreas, responsável pelo transporte de encomendas expressas e urgentes da empresa pública, como o Sedex 10.
A companhia aérea fazia a rota entre os aeroportos de Vitória e de Guarulhos, em São Paulo. A operação contava com cerca de dez voos por semana. O último avião decolou da capital capixaba rumo a Florianópolis (SC), onde funciona uma das bases da empresa, na noite de terça-feira (22).
O cancelamento das viagens aéreas ocorre em meio a uma crise financeira enfrentada pela estatal, que encerrou o ano passado com um rombo de R$ 3,2 bilhões. Parte dessa perda bilionária é atribuída à chamada "taxa das blusinhas”, que entrou em vigor em 2024 estabelecendo a cobrança de impostos sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas estrangeiras, como Shein, Shopee e AliExpress.
Um funcionário da Total, que conversou com a reportagem de A Gazeta sob condição de anonimato, disse que os Correios foram os responsáveis pelo fim do contrato e não estariam repassando à empresa os valores pela prestação de serviço aéreo, resultando em impactos no Espírito Santo e em outras bases ao redor do Brasil. Segundo ele, com o encerramento das operações, dois funcionários da base de Vitória foram realocados para Recife (PE) e São Paulo (SP). Os demais apenas aguardam orientações quanto ao processo de demissão.
“A base aqui de Vitória era exclusiva para os Correios. O contrato ia até setembro e cortaram agora (em abril) por falta de pagamentos. Fazíamos cerca de dez voos por semana com essas operações e agora vamos perder uma base que tinha uma equipe muito empenhada em todas as ações”, disse o funcionário.
Ainda de acordo com o funcionário, outras empresas podem ser impactadas pelo encerramento do contrato, já que a Total era a responsável por coletar encomendas de instituições que enviavam produtos através dos Correios.
Segundo o contrato dos Correios com a Total, o serviço de transporte aéreo de cargas na Rede Postal Noturna no Espírito Santo, considerando os aditivos feitos desde 2020, tinha um valor de R$ 46.730.135,75 com vigência até setembro deste ano. Do montante, R$ 9.385.283,12 foram pagos pela estatal até o momento.
Acordo entre Total e Correios tinha previsão de encerramento em setembro deste ano
Acordo entre Total e Correios tinha previsão de encerramento em setembro deste ano Crédito: Lista de Contratos dos Correios
Por meio de nota, os Correios confirmaram o fim do contrato com a Total, mas garantiram que mantêm a operação dos serviços de entrega. "O contrato firmado entre os Correios e a Total Linhas Aéreas, para o transporte de carga postal pelo modal aéreo no Espírito Santo, encerrou-se em abril, conforme acordado entre as partes e obedecendo a legislação.  Os serviços de entrega dos Correios seguem operando normalmente em todo o país e no Espírito Santo", diz um trecho da nota.
Em relação ao pagamento dos fornecedores de transporte aéreo e rodoviário, a estatal diz que "está sendo realizado de forma gradual".
Segundo a Zurich Airport Brasil, responsável pela gestão do Aeroporto de Vitória, a decisão de suspender a rota da RPN, de fato, partiu dos Correios, contratante do serviço. Em nota, a empresa sinalizou que o “aeroporto segue à disposição da estatal para um eventual retorno da rota”.
Também procurada pela reportagem para esclarecimentos sobre o contrato e os impactos na empresa, a Total não se manifestou até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

A crise nos Correios

O contrato encerrado no Espírito Santo ocorre em um momento de perda de arrecadação dos Correios. Em estudo produzido e divulgado pela própria estatal, foi apontado que a empresa pública teve prejuízo de quase R$ 2,2 bilhões só com a “taxa das blusinhas”. Segundo o documento, em reportagem do g1, os Correios esperavam arrecadar R$ 5,9 bilhões com o transporte de mercadorias importadas da China em 2024. Após a entrada em vigor da lei, o montante obtido foi R$ 3,7 bilhões.
Em janeiro, Elisa Leonel, secretária de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do Ministério da Gestão e Inovação, disse que “o déficit dos Correios é um caso que demanda a atenção do governo, que tem se debruçado para discutir medidas de sustentabilidade financeira”. Segundo ela, os prejuízos estão ligados à falta de investimentos, contratos encerrados e à perda de receita.

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