A copiloto Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, que morreu em um acidente de avião na Flórida, nos Estados Unidos, neste domingo (1º), era filha de brasileiros. Ela nasceu e foi criada nos EUA, mas mantinha uma relação próxima com os familiares no Brasil. Parentes do padrasto dela moram em Águia Branca, no Noroeste do Espírito Santo, entre eles uma tia, que relembrou a trajetória da sobrinha, a paixão pela aviação e a saudade deixada entre os familiares.
A corretora Natália Corteleti, 40 anos, é irmã do padrasto de Nathália, e a copilota a considerava sua tia. Ela contou que a família recebeu a notícia do acidente por meio de uma ligação. “Foi meu irmão, que mora lá, que ligou avisando. A companhia em que ela trabalhava entrou em contato com a mãe dela para falar sobre o acidente, mas, até então, não tinham dado muitos detalhes, porque eles também ainda não tinham muitas informações”, explicou.
Posteriormente, começaram a circular notícias, fotos e vídeos do acidente. Foi quando os familiares conseguiram compreender melhor a dimensão do ocorrido. “Meu irmão ligou para a gente avisando cerca de uma hora depois que eles ficaram sabendo”, contou.
O avião particular, um Learjet 60, havia decolado de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. O avião caiu em uma área residencial em Palm Beach, na Flórida, e explodiu após atingir o solo. Todas as nove pessoas que estavam a bordo morreram.
A tia afirma que todos estão profundamente abalados e ainda têm dificuldade para acreditar na perda.“Todos estão sem acreditar, sem chão, sem saber o que fazer. Foi tudo muito rápido, muito trágico. Ninguém esperava que fosse acontecer uma coisa assim, principalmente pela forma como foi, ela ter caído de ponta, a velocidade, o fogo, o susto, a cratera que abriu lá... São imagens que chocam e deixam a gente desestabilizado”, disse.
Nathalia nasceu nos Estados Unidos, onde morava com os pais e a irmã. Os pais são brasileiros, mas ela sempre viveu no exterior. Apesar da distância, mantinha contato frequente com os familiares no Brasil, participava dos grupos da família e conversava pelas redes sociais.
“Ela era sempre ativa na família, nos grupos da família, nas redes sociais. A gente conversava, trocava informações, sempre tinha convivência. Era como os nossos familiares de sangue mesmo, porque a gente a considerava nossa sobrinha. Ela chamava minha mãe de vó”, recordou.
A jovem já havia visitado o Brasil e teve a oportunidade de conviver com os parentes em Águia Branca. Para a tia, Nathalia era uma menina especial, que chamava atenção pela dedicação e disciplina.
“Era muito dedicada, muito estudiosa, muito prodígio. Era muito à frente para a idade dela. Fez muita coisa muito cedo, conquistou muita coisa cedo, porque era muito disciplinada”, destacou.
A paixão pela aviação começou ainda na infância. Segundo a tia, o pai biológico de Nathalia tinha a aviação como hobby e foi ele quem despertou o interesse da filha pela atividade. Incentivada por ele, a jovem passou a alimentar o sonho de seguir carreira na área.
O desejo era tão forte que ela conquistou a licença para pilotar aos 17 anos, antes mesmo de tirar a carteira de motorista. Na época do acidente, trabalhava em uma empresa de voos particulares nos Estados Unidos.
A trajetória precoce na aviação era motivo de orgulho para a família, que acompanhava de perto as conquistas da jovem.
Mesmo morando longe, Nathalia fazia parte da rotina e dos momentos especiais da família brasileira. A tia lembra com carinho dos encontros e, principalmente, do Natal de 2023, quando todos tiveram a oportunidade de passar a data juntos. Ao falar sobre a saudade, ela afirma que a ausência será sentida em cada reunião familiar e nas próximas oportunidades de estarem juntos.
“Vai ficar um vazio. Sempre vai ter alguma coisa que vai nos fazer lembrar dela. Quando a gente for passear lá, quando juntar todo mundo... Igual ao Natal de 2023, quando passamos todos juntos. Na próxima oportunidade, vai faltar um pedacinho”, disse.
A lembrança que fica é de uma jovem carinhosa, meiga e querida por todos. “Ela era muito carinhosa, muito meiga, muito boazinha. Todo mundo era apaixonado por ela. Era uma menina muito boa, de ouro. Ela chegou aonde chegou tão rápido, e não foi à toa”, afirmou.
“Ela me chamava de tia Natália. Então, é minha sobrinha e sempre vai ser”, concluiu.