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Como Colatina pode ter relação com tremores em Pancas?

Pancas tem despertado interesse de pesquisadores; especialista da Ufes analisou tremores que atingiram a região e destacou que no município existe uma particularidade geológica importante ligada a Colatina

Publicado em 30/07/2021 às 17h30
Tremor de 1.4 na Escala Richter foi registrado em Pancas
Tremor de 1.4 na Escala Richter foi registrado em Pancas. Crédito: Reprodução

Moradores do município de Pancas se assustaram com os constantes tremores de terra que aconteceram na região recentemente. As ocorrências no local, que fica a cerca de 140 quilômetros de Vitória, têm despertado interesse de pesquisadores. Segundo a professora Luiza Bricalli, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), os motivos desses eventos sísmicos no Espírito Santo podem estar relacionados a vários aspectos.

O registro do último tremor foi na noite de 13 de julho, às 20h14, com magnitude de 1.4 na escala Richter. Foi o terceiro tremor de terra registrado na região, no período de dois meses, pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), que são operadas pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Luiza Bricalli, doutora em Geologia, entre os motivos que podem estar relacionados a ocorrência desses tremores, ela lista:

  • A movimentação das placas tectônicas da crosta terrestre;
  • A compressão da placa Sul-Americana onde o Brasil está inserido, devido à própria movimentação das placas tectônicas;
  • A movimentação das falhas transcorrentes da dorsal mesotlântica, que se prolongam para o continente;
  • A movimentação de falhas geológicas locais.

Ela destacou que as características geológicas específicas de bacias sedimentares que causam atividades sísmicas, especialmente nas bordas dessas bacias, onde há a presença de falhas geológicas e o peso delas, bem como a espessura da crosta terrestre, também podem ter contribuído para os tremores na região.

Segundo Bricalli, em Pancas existe uma particularidade geológica importante a ser mencionada, que é a presença da faixa de lineamento Colatina. Essa faixa corresponde à feição estrutural mais importante no Estado e é caracterizada por um conjunto de lineamentos, que se inicia a Sul de Vitória, passando pela cidade de Colatina e por Pancas, e terminando a Noroeste, no limite com o Estado de Minas Gerais.

Luiza Bricalli

doutora em Geologia

"Essa faixa é uma faixa móvel que começa em Vitória, passa por Colatina, Pancas e vai até Minas Gerais. Tremores podem ocorrer em Colatina ou em outros locais em que passa essa faixa. É uma concentração de falhas e fraturas que a gente tem ali no Noroeste"

Bricalli ressalta que “é importante mencionar a existências de falhas neotectônicas no estado do Espírito Santo, que podem ser ativas e causarem acúmulo de estresses e liberação na forma de evento sísmico. Muitas orientações dessas falhas guardam forte associação com a estruturação da faixa Colatina”.

TREMORES DE TERRA NO ES

No Espírito Santo, já ocorreram mais de 40 tremores de terra, que foram registrados e catalogados pelo Laboratório de Neotectônica e Sismológico (Lanesi) da Ufes, com detalhamento do dia, local, epicentro e magnitude.

Esses terremotos ocorreram entre os anos de 1767 e 2021, sendo que, de julho de 2020 até a presente data, ocorreram sete terremotos. A professora informa ainda que, no dia 14 de julho, um dia após os tremores em Pancas, mais três pequenos eventos sísmicos ocorreram no Estado.

Luiza Bricalli, doutora em Geologia e professora da Ufes
Luiza Bricalli, doutora em Geologia e professora da Ufes. Crédito: Arquivo pessoal

As pesquisas realizadas no Lanesi procuram analisar a existência de algum padrão de ocorrência desses terremotos, tipos de rochas e zonas fraturadas, além de relacionar os locais de ocorrência dos terremotos com os locais que apresentam maior densidade de fraturamento da crosta terrestre e os locais com presença de falhas neotectônicas.

“Outros terremotos podem ocorrer no Espírito Santo, mas, geralmente, com magnitudes baixas, pois o território brasileiro encontra-se distante de um limite de placa tectônica. Por esse motivo, esses eventos sísmicos aqui no estado dificilmente irão causar danos à população”, finaliza Luiza Bricalli.

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