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2013 e 2022

Barco e dentro de casa: a história da mãe que deu à luz em enchentes no ES

O primeiro nascimento aconteceu em 2013 dentro de um barco; já neste domingo (20), sem ambulância para levar a mulher ao hospital, a bebê nasceu em casa

Publicado em 21 de Fevereiro de 2022 às 13:29

Vinícius Lodi

Publicado em 

21 fev 2022 às 13:29
A história do casal de pescadores Dayane de Jesus Silva, 30 anos, e Fabiano Gama Amaral, 35, moradores do distrito de Povoação, em Linhares, é cercada por alegrias e desafios envolvendo o Rio Doce. Os dois filhos deles nasceram sob circunstâncias difíceis: a cheia do rio e a impossibilidade de chegar até um hospital de carro.
O primeiro, chamado Kauã Silva Amaral, veio ao mundo em 2013, dentro de um barco. Neste domingo (20), foi a vez da Luna de Jesus Amaral: o trabalho de parto da bebê aconteceu dentro de casa. Mãe e filha foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil Municipal e levadas, em seguida, por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Regência até um hospital.
Dayane e Luna estão internadas no Hospital Maternidade Rio Doce. Segundo Fabiano, elas passam bem e a bebê é “a atração do hospital”. A estimativa é que as duas tenham alta médica nesta terça-feira (22).
Bombeiros atuaram no resgate para levar Luna e Dayane até uma ambulância Crédito: Divulgação/Corpo de Bombeiros

O NASCIMENTO DE LUNA

Para A Gazeta, Fabiano contou que a esposa começou a sentir dores na madrugada de domingo (20). Ele, então, procurou a unidade de saúde do local e verificou se a ambulância estaria disponível para levar Dayane até o hospital.
O veículo, primeiro, iria levar uma outra paciente, mas caiu em um buraco na estrada, a ES 248, e não pode continuar a viagem. Fabiano decidiu pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros.
“No início, era uma dor leve e constante. Fiquei com ela por uns 30 minutos e depois fui até o posto de saúde. O rapaz da ambulância me disse que precisava levar uma mulher para um exame de hemodiálise antes. Depois, não conseguiu avançar na estrada. Foi quando eu liguei para os bombeiros”, disse o pai.
Segundo o pai das crianças, duas profissionais de enfermagem da unidade, identificadas como Maria Angélica e Débora, foram para a casa dos pais de Dayane, que era onde ela estava. Elas iniciaram o trabalho de parto e contaram com orientações de bombeiros.
“Graças a Deus elas estavam lá. Elas fizeram os primeiros socorros e depois o trabalho de parto. Gostaria que os nomes delas e dos bombeiros fossem destacados. Eu estava dentro do quarto com a Dayane e acompanhei tudo. Fiquei um pouco ansioso, mas deu tudo certo”, falou Fabiano.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, quando a corporação chegou até a casa da mulher, a bebê já tinha nascido, pelas mãos de uma técnica de enfermagem, que ajudou no processo. Os bombeiros, então, operaram o corte do cordão umbilical.
“Recebemos o chamado e começamos a orientar por telefone o que deveria ser feito durante o parto. Quando chegamos na casa, a bebê Luna já tinha nascido. O que fizemos foi cortar o cordão umbilical e levar a mãe e filha para a ambulância”, disse Cabo Dani Perini, que atuou na operação.
A história da mãe que deu à luz em enchentes no ES
Luna após chegar ao hospital Crédito: Acervo familiar
Enquanto o Rio Doce continua cheio, uma irmã de Fabiano, que mora no Centro da cidade, vai receber a família na casa dela. Na tarde desta segunda ou na manhã de terça, Fabiano deve ir para Regência em um barco, para depois pegar um ônibus e ir ao hospital, em Linhares.

O NASCIMENTO DE KAUÃ

Dezembro de 2013 foi marcado por uma das maiores enchentes do Rio Doce, nos últimos anos, quando a água chegou a 6,50 metros. Na época, mais de 20 pessoas morreram no Estado em decorrência das chuvas. O Corpo de Bombeiros fez o resgate de Dayane, que no meio do caminho entrou em trabalho de parto.
Kauã nasceu dentro de um barco em 2013
Kauã nasceu dentro de um barco em 2013 Crédito: Reprodução/Corpo de Bombeiros
Registros da época mostram a chegada da mãe e do filho, Kauã Silva Amaral, no barco antes de serem levados para um hospital.

SITUAÇÃO DO RIO DOCE

Na manhã desta segunda-feira, o Rio Doce atingiu 4,74 metros e subiu 31 centímetros desde a noite de domingo. Há o registro de 19 pessoas desabrigadas no município. Elas foram encaminhadas ao ginásio do bairro Conceição. O aumento do nível do rio acontece por conta da incidência de chuva na região da cabeceira do Rio Doce, em Minas Gerais.
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