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Ato em Vitória: pescadores vão distribuir 2,5 mil sacolas com peixes

A manifestação é organizada pelo Sindicato dos Pescadores do Espírito Santo (Sindpesmes) e terá início ao meio-dia desta quinta-feira (25)

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 25/11/2021 às 09h54
Distribuição de peixes na Praça do Papa
Distribuição de peixes na Praça do Papa. Crédito: Ricardo Medeiros

Um ato em protesto pelo desastre de Mariana, município de Minas Gerais, que aconteceu seis anos atrás e causou danos ambientais ao Espírito Santo após o rompimento de uma barragem, vai distribuir cerca de 2,5 mil sacolas com peixes a famílias de pescadores nesta quinta-feira (25), na Praça do Papa, em Vitória. A manifestação é organizada pelo Sindicato dos Pescadores do Espírito Santo (Sindpesmes) e terá início ao meio-dia.

O presidente do Sindpesmes, João Carlos Gomes da Fonseca, conhecido como Lambisgóia, explicou que o ato tem o intuito de mostrar que muitas pessoas atingidas pelo desastre ambiental ainda não foram ressarcidas pelos danos causados pelo rompimento da barragem.

Ele explicou que há negociações em andamento com a Fundação Renova, uma organização sem fins lucrativos que visa reparar o impacto do desastre de Mariana, para pagamento de indenização aos afetados, mas ainda não houve uma conclusão.

Pessoas fazem fila para receber doação de peixes

Pessoas fazem fila para receber doação de peixes

"Já se passaram seis anos, desde dezembro de 2018 nós temos uma negociação em aberto. Metade recebeu e metade ficou para trás. Queremos mostrar que o atingido ficou à mercê, está até hoje esperando", disse.

Além da sacola com peixes, os manifestantes terão direito a uma paella, tradicional prato espanhol à base de arroz e que também leva frutos do mar. A intenção, de acordo com Lambisgóia, é promover a uma população carente um prato considerado da alta gastronomia e que é produzido justamente com alimentos dos quais os pescadores tiram seu sustento.

"A pessoa que recebeu a sacola de peixe vai entrar em outra fila que vai ter um almoço especial, vai ser feita uma paella. A pessoa mais humilde é difícil comer esse prato, então queremos apresentar para eles. Nós temos 2,5 mil sacolas de peixe, cada sacola dessa é para uma família", explicou.

O QUE DIZ A FUNDAÇÃO RENOVA

Demandada pela reportagem de A Gazeta, a Fundação Renova alegou que, até setembro deste ano, o valor total pago em indenização aos camaroeiros somou R$ 103 milhões para 172 pessoas. Neste ano, conforme a fundação, também está sendo pago aos camaroeiros o lucro cessante referente a 2020. Até setembro, cerca de R$ 21 milhões foram pagos a 170 atingidos.

A organização completa que cerca de R$ 16,82 bilhões foram desembolsados nas ações de reparação e compensação até setembro, tendo sido pagos R$ 6,61 bilhões em indenizações e auxílios financeiros emergenciais para mais de 343 mil pessoas em todo o território. No Espírito Santo, até setembro, de acordo com a Renova, foram pagos cerca de R$ 3,53 bilhões, considerando indenizações e auxílios financeiros.

A Fundação Renova informou também que iniciou, em janeiro de 2020, o atendimento aos pescadores da Enseada do Suá, em Vitória, diretamente impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Segundo a organização, o Termo de Acordo que concluiu a avaliação e mensuração dos danos comprovados sofridos pelos pescadores de camarão da Enseada do Suá formalizou os resultados do processo de negociação do Grupo de Trabalho, que incluiu órgãos públicos, Sindicato dos Pescadores e Fundação Renova. Os camaroeiros apresentaram diretrizes para o rateio dos valores, obedecidas a forma de trabalho e os costumes locais.

"A proposta de indenização, englobando valores e critérios de elegibilidade, foi construída coletivamente, incluindo oficinas que contaram com participação e mobilização da comunidade pesqueira. O pagamento contempla toda a indenização que os atingidos fazem jus, com lucro cessante e danos morais individuais, diz a Renova. 

A fundação completa: "Modelo participativo O Grupo de Trabalho, instituído em abril de 2018 para buscar solução consensual sobre as medidas de reparação integral dos camaroeiros da Enseada do Suá, foi formado por representantes dos pescadores de camarão, apoiados pelo Sindicato dos Pescadores do Espírito Santo (Sendipesm-ES), Defensoria Pública Estadual (DPES), Defensoria Pública da União (DPU), Ministério Público Federal (MPF), Fundação Renova, Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura Pesca e Abastecimento (Mapa)", diz a nota da Fundação Renova.

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