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Educação

Até guerra influencia queda da Ufes em ranking internacional de universidades

Os conflitos no Oriente Médio e na Europa, assim como políticas de imigração mais restritivas, repercutem na mobilidade de estudantes e pesquisadores, afetando atividades internacionais, aponta universidade

Publicado em 01 de Junho de 2026 às 20:08

Aline Nunes

Publicado em 

01 jun 2026 às 20:08

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) figura entre as melhores instituições do mundo, mas, na edição de 2026 do CWUR (Centro para Rankings Universitários Mundiais, na sigla em inglês), divulgada nesta segunda-feira (1º), apresentou uma queda de sete posições. Entre os motivos apontados pela instituição de ensino para a regressão na avaliação, ao passar da colocação 1.268 para a 1.275, estão os conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, na Europa. 


O secretário de Relações Internacionais da Ufes, Felipe Guimarães, explica que o desempenho da universidade foi impactado por fatores externos, como as guerras, por afetarem o preço dos combustíveis e das passagens aéreas, dificultando, dessa maneira, a mobilidade estudantil.


Há, ainda, políticas de imigração mais restritivas adotadas por países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, que também limitam a mobilidade dos estudantes, mudanças geopolíticas e econômicas, além do aumento no custo de vida – despesas com moradia, transporte e alimentação. 

Aumento do custo de vida dos estudantes é um dos fatores apresentados para a queda da Ufes em ranking Edson Chagas / Arquivo
Para Felipe Guimarães, investimentos limitados nas atividades de internacionalização nos últimos anos também podem ter afetado indicadores como mobilidade de estudantes e pesquisadores (do Brasil ao exterior e vice-versa) e publicações com acadêmicos no exterior, entre outros.

O financiamento limitado, acrescenta Guimarães, pode não "impulsionar" pesquisadores, já que há custos para deslocamento, aquisição de equipamentos e materiais. Além disso, algumas revistas internacionais de impacto cobram altas taxas para publicação, nem sempre acessíveis aos pesquisadores. 

"Questões linguísticas também podem interferir, já que alguns indicadores apontam que menos de 5% da população brasileira têm alguma proficiência em idioma estrangeiro. Isso dificulta a colaboração com muitos países”, explica.

Para ampliar parcerias e sua presença internacional, o secretário de Relações Internacionais destaca que a universidade tem aumentado a oferta de bolsas, auxílios e cursos.

“A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) da Ufes lançou editais com recursos para mobilidade de professores da Ufes ao exterior, e também edital para trazer pesquisadores externos à Ufes”, lembra.

Guimarães cita, ainda, a oferta de cursos de idiomas para fins de internacionalização: inglês, espanhol e português como língua estrangeira. São 540 vagas a cada trimestre, 2.160 vagas ao ano.

"Ainda assim, a Ufes continua na faixa das 30 melhores universidades do Brasil. Se formos considerar apenas as federais, que são cerca de 70, estamos numa faixa intermediária", valoriza.

O secretário afirma que, para a sociedade capixaba, a Ufes estar entre as instituições brasileiras mais bem colocadas em um ranking internacional significa possibilidades de participar de redes internacionais de pesquisa (com acesso a outros conhecimentos e tecnologias), realizar programas de mobilidade (física e virtual) e aprender novos idiomas e conhecer novas culturas, além de poder divulgar em âmbito mundial os conhecimentos e tecnologias desenvolvidos.

O ranking

A Ufes não foi a única instituição brasileira a recuar no ranking. De 52 universidades, 45 caíram de posição. Isso significa que 87% das instituições nacionais classificadas no ranking caíram, enquanto apenas cinco avançaram e duas ficaram estáveis.


Para medir esses dados, o CWUR avaliou 21.291 instituições em todo o mundo e filtrou as 2 mil melhores. A metodologia do ranking analisa 81 milhões de pontos de dados e indicadores objetivos baseados em resultados, distribuídos em quatro grandes áreas. O peso principal da avaliação fica dividido entre o desempenho dos estudantes e a atividade científica.


Os critérios de educação e empregabilidade respondem, cada um, por 25%, medindo, respectivamente, o sucesso acadêmico e profissional dos ex-alunos em relação ao tamanho da universidade.


A qualificação do corpo docente representa 10% do total, calculada pelo número de professores que receberam reconhecimentos acadêmicos.

Já o pilar de pesquisa é o mais decisivo, concentrando 40% da pontuação final. Essa área é subdividida em quatro métricas de 10% cada. São elas: o volume total de artigos produzidos, o número de publicações em periódicos de primeira linha, o nível de influência dessas revistas e a quantidade de citações expressivas alcançadas pelos estudos da instituição.

Segundo os realizadores do ranking, o principal fator para o recuo das instituições brasileiras é o rendimento em pesquisa, afetado pela concorrência acirrada de universidades estrangeiras bem financiadas.

Com informações da Folhapress

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