A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, no Espírito Santo, apenas 30,9% da população têm plano de assistência médica ou odontológica. Desse modo, a maioria dos moradores do Estado depende do Sistema Único de Saúde (SUS) para quaisquer procedimentos.
O levantamento, feito ao longo de 2019 em todo o país e divulgado nesta sexta-feira (4), demonstra que a cobertura no Brasil também se aproxima desse índice, alcançando 28,5% da população.
"Assim como o Brasil, o Espírito Santo tem uma realidade muito diversa. Mesmo sendo um Estado pequeno em número de municípios e extensão territorial, há diferenças importantes de Vitória para outros municípios, mesmo se comparado à região metropolitana. A capital tem uma situação bastante confortável em termos de SUS, e também na cobertura de planos de saúde. Durante muito tempo Vitória liderou entre as capitais que mais tinham planos", pontua Edson Pistori, assessor especial da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Desde a crise econômica de 2014, ele diz, muitas pessoas vêm deixando os planos de saúde para usar os serviços do SUS, num movimento reforçado pela perda de emprego e, consequentemente, de poder aquisitivo.
REDE ESTADUAL
Na rede pública estadual, o reflexo foi observado com o aumento da demanda por consultas especializadas, em torno de 15% nos últimos cinco anos. Algumas áreas são mais estranguladas, tanto por se tratar de subespecialidade, quanto pelo fato de não haver profissionais atuando no serviço público, ou mesmo no Espírito Santo.
Edson Pistori lembra que, na gestão passada, também houve redução na oferta de consultas especializadas, aumentando as filas de pacientes. Agora, a Sesa trabalha em um projeto de integração da atenção básica, realizada pelos municípios, com o Estado, para reduzir a burocracia e acelerar o processo de atendimento. A pandemia da Covid-19 acabou atrasando a sua implementação, mas agora foi retomado.
Outra estratégia, segundo Edson Pistori, tem sido a de promover residências médicas para suprir a carência de profissionais em determinadas áreas, contribuindo para que esses especialistas permaneçam no Estado. Dessa maneira, o assessor da Sesa espera que o SUS esteja mais bem preparado para um novo aumento na procura pelos serviços públicos, decorrente da pandemia.
"A pesquisa não pega um dado muito atual, do momento. Acredito que a demanda pelo SUS vai crescer, considerando que o desemprego aumentou e um conjunto de pessoas, que antes tinham plano de saúde, agora não contam com essa assistência. E será a tendência em 2021, 2022. Olhando dados recentes, quando há um aumento de 4, 5 pontos percentuais no desemprego, a pressão sobre o sistema de saúde é direta. Não só porque as pessoas deixam os planos, mas, porque o desemprego provoca apreensões emocionais e isso também gera adoecimento", finaliza.