A distância de algumas cidades dos municípios polos, ou mesmo da Região Metropolitana, estão entre os motivos para 17 cidades do Espírito Santo terem apresentado redução de suas populações, segundo apontam as estimativas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27).
Os grandes centros, como explica o diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones do Santos Neves, Pablo Lira, são locais cujo dinamismo econômico acaba atraindo a população e estimulando o crescimento populacional até das cidades vizinhas. Locais onde estão localizados os grandes investimentos em indústrias, comércio e imobiliário, que geram oportunidades de emprego.
Situação diferente das cidades que contam agora com menos moradores, por não conseguirem atrair população para nelas residir, até mesmo para trabalhar nos municípios vizinhos, por exemplo. Os habitantes são atraídos por oportunidades de emprego em outros locais. Sai da Região do Caparaó, por exemplo, em busca de emprego ou para estudar, na Grande Vitória, ou vai para Cachoeiro. Isto explica esta redução da população, observa.
Já a cidade de Alegre, que atrai muitos estudantes para o campus da Ufes, que acabam vivendo na cidade em repúblicas, vivencia um momento diferente com a pandemia do novo coronavírus. As aulas presenciais foram suspensas e muitos alunos deixaram a cidade. O levantamento do IBGE foi realizado até o dia 1º de julho deste ano, o que pode ter influenciado na contagem.
DESACELERAÇÃO DEMOGRÁFICA
De acordo com Lira, o Espírito Santo vivencia uma transição demográfica, com desaceleração do crescimento populacional. Assim como o Brasil, o Estado está registrando uma redução da taxa de natalidade e de mortalidade.
Por outro lado, acrescenta Lira, também vivenciamos a chamada janela de oportunidade. É o período em que o número de pessoas de 15 a 65 anos - consideradas pessoas em idade ativa -, consegue superar o número de pessoas abaixo de 14 anos e ainda aqueles acima de 65 anos. A renda dos que estão entre 15 a 65 anos, cobre a demanda, a dependência dos adolescentes e da terceira idade. Estamos vivendo a nossa janela de oportunidades, é o bônus demográfico. Um momento mais favorável para a economia e a população, explica Lira.
Uma situação que pode mudar nas próximas décadas, com o crescimento da população na terceira idade e com impacto na previdência, decorrente do processo de envelhecimento da população brasileira e capixaba.
Lira cita a situação de países como Canadá e Japão, que já enfrentam crescimento natural negativo. A população na faixa etária mais elevada, onde tem mais mortes, na terceira idade, é maior, e nasce menos pessoas. Nestes países têm políticas para atrair migrantes para recompor a estrutura etária. Ainda não chegamos neste nível, explica.