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Vila Velha

Adolescentes denunciam discriminação em shopping do ES após acusação de furto

Um adolescente negro e a namorada dele foram abordados já do lado de fora do Boulevard Shopping Vila Velha por funcionários e seguranças. O menino teve a bolsa revistada e precisou levantar a camisa para mostrar que o álbum não estava com ele

Publicado em 18 de Setembro de 2022 às 09:09

Alberto Borém

Publicado em 

18 set 2022 às 09:09
Um casal de adolescentes, de 16 e 17 anos, registrou na delegacia de Polícia Civil de Vila Velha que os dois foram intimados por funcionários e seguranças do Boulevard Shopping Vila Velha a provar que não furtaram um álbum de figurinhas. Segundo consta no boletim de ocorrência, o menino — que é negro — teve a bolsa revistada e precisou levantar a camisa para mostrar que o álbum não estava com ele.
Após chegarem em casa, os adolescentes contaram às mães o que havia acontecido no shopping. Elas procuraram a delegacia e registraram ocorrência. A Gazeta entrou em contato com as duas famílias. O menino inicialmente não será identificado nesta matéria, para preservar sua privacidade.
De segunda até sexta-feira, até as 14h, a vaga não é cobrada no Boulevard Shopping
Fachada do Boulevard Shopping Vila Velha Crédito: Boulevard Shopping/Divulgação
A mãe Michella de Albuquerque Tomaz Roger e a filha Tathyana Tomaz Roger permitiram a divulgação de seus nomes e deram entrevista para A Gazeta por telefone.  
Tathyana contou que, no dia 14 de setembro, ela e o namorado chegaram sozinhos ao shopping, como costumam fazer com frequência, e buscavam um álbum de figurinhas específico, de capa dura. Ao entrarem em determinada loja, pediram a um dos funcionários que mostrasse onde estava o produto. Os dois analisaram o item que tinha na loja, mas não quiseram comprar naquele momento. Eles colocaram o álbum em uma prateleira de cadernos e saíram, sem o álbum de figurinhas.
De acordo com a adolescente, eles andaram pelo shopping, procuraram em outras lojas, tomaram um sorvete e, sem interesse em comprar o que tinham visto na primeira loja, resolveram ir embora do shopping. 
Quando os dois já estavam no ponto de ônibus, eles foram abordados por funcionários da loja e por seguranças do shopping, que chegaram do lado de fora perguntando onde estava o álbum de figurinhas. Thatyana conta que, surpresos, eles informaram que o álbum estava perto do caixa, ao lado de alguns cadernos.
Não satisfeitos com a resposta, os seguranças pediram que os dois voltassem ao shopping. Segundo Thatyana, como também consta nos boletins de ocorrência, o segurança solicitou que os adolescentes fossem levados para uma sala fechada, dentro do shopping, que seria a sala de segurança. E estavam lá apenas os dois menores de idade, dois seguranças do shopping e dois funcionários da loja.
Foi nesse momento, segundo Thatyana, que o segurança perguntou ao funcionário: "O que eles roubaram da loja?"
O casal afirmou que não tinham roubado nada. Thatyana conta, como também está no boletim de ocorrência, que o adolescente negro teve a bolsa revistada e precisou levantar a camisa para provar que o álbum não tinha sido furtado. Ele teria ainda mostrado o documento de identidade.
A adolescente, que se identifica como branca, afirma que não teve nenhuma das suas bolsas revistadas e não foi exigida a documentação dela no momento da abordagem.
Por fim, sem encontrar o álbum, os seguranças disseram que os adolescentes deveriam ir até a loja mostrar onde teriam deixado o item. Ao chegaram à loja, os dois mostraram onde o álbum estava, indicando o mesmo local informado durante a abordagem no ponto de ônibus: perto do caixa, ao lado de alguns cadernos. Segundo Thatyana, depois disso eles foram liberados, mas em nenhum momento houve um pedido de desculpas por parte dos funcionários ou do segurança.
"Saímos da sala nós dois e os dois funcionários da loja. Fomos mostrar onde o álbum estava, e o encontramos perto do caixa, ao lado dos cadernos. Depois disso voltamos para a sala para pegar nossas coisas e acabou. Nem pediram desculpa. Ficamos em uma situação constrangedora"
Thatyana Tomaz Roger - Estudante
Após chegar em casa, a adolescente contou à mãe o que havia acontecido no shopping. Michella de Albuquerque Tomaz Roger disse à reportagem de A Gazeta que pretende entrar com ação na Justiça contra o shopping e a loja pela abordagem que considera fora do normal.
"Minha filha é menor de idade, acusaram ela de roubo. Fizeram uma acusação, não perguntaram. Minha filha foi parar em uma sala sozinha, sem um responsável. Isso foi totalmente errado, foi totalmente extrapolado", afirmou.
Ela e a mãe do outro adolescente solicitaram imagens de videomonitoramento da loja, do shopping e de câmeras do ponto de ônibus.

O QUE DIZ O SHOPPING

O Boulevard Shopping Vila Velha informou, por nota, que repudia todo tipo de discriminação e lamenta a experiência dos jovens, *com a abordagem equivocada que sofreram do lado de fora do shopping". "Este tipo de postura não condiz com as orientações de atendimento ao público. O shopping esclarece que está tomando as devidas providências, inclusive com afastamento e reciclagem do segurança. Solicitou ainda providências junto ao lojista para treinamento de seus colaboradores", finalizou.

O QUE DIZ A LOJA

A Americanas enviou nota informando repudiar todo e qualquer tipo de discriminação e disse estar apurando o ocorrido internamente para serem tomadas as providências cabíveis.
"A companhia informa que os colaboradores que atuam diretamente no atendimento aos clientes passam por treinamentos periódicos acerca de todas as suas políticas e rotinas operacionais, de forma a reforçar as melhores práticas e comportamentos adequados para todos os tipos de situações. A Americanas reitera a existência de um canal exclusivo para o tratamento de atitudes indevidas e segue atuante em sua agenda racial, reforçando seu compromisso em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva”, informou.

Atualização

19/09/2022 - 12:37
A Americanas enviou nota nesta segunda-feira (19) com o posicionamento da loja sobre o ocorrido. O texto foi atualizado.

O OUTRO LADO

O Shopping Boulevard foi demandado pela reportagem de A Gazeta para informar o que aconteceu no local e que medidas foram adotadas com os funcionários da loja e os seguranças envolvidos na abordagem. Também foi perguntado se as imagens das câmeras de videomonitoramento foram captadas e enviadas à polícia para apuração dos fatos. Veja resposta na íntegra:
"O Boulevard Shopping Vila Velha repudia todo tipo de discriminação e lamenta a experiência dos jovens. Este tipo de postura não condiz com as orientações de atendimento ao público. O shopping esclarece que solicitou providências junto ao lojista para treinamento de seus colaboradores."

O QUE DIZ A POLÍCIA CIVIL

A Polícia Civil (PC), onde os boletins foram registrados pelas mães, também foi procurada pela reportagem de A Gazeta para dar detalhes sobre a apuração do caso.
Em nota, a PC informou que os responsáveis pelos adolescentes registraram, na última quarta-feira (14) e quinta-feira (15), um boletim de ocorrência por calúnia e difamação. A ocorrência foi registrada na 4ª Delegacia Regional de Cariacica e será encaminhada ao Distrito de Polícia de Vila Velha, que atende a região onde aconteceu o fato, para apuração e diligências que o fato requer.

Correção

18/09/2022 - 4:58
O título desta matéria foi alterado para melhor compreensão do caso. Diferentemente da informação publicada inicialmente nesta matéria, que dizia que 'durante finais de semana, feriados e pontos facultativos a assessoria da PC só tem acesso às ocorrências e autuações do plantão vigente das Delegacias', a Polícia Civil enviou uma nota neste domingo (18) afirmando que 'os responsáveis pelos adolescentes registraram, na última quarta-feira (14) e quinta-feira (15), um boletim de ocorrência por calúnia e difamação. A ocorrência foi registrada na 4ª Delegacia Regional de Cariacica e será encaminhada ao Distrito de Polícia de Vila Velha, que atende a região onde aconteceu o fato, para apuração e diligências que o fato requer'. O texto foi corrigido.

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