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Cerca de 15 dias após tomar a dose única do Zolgesma, Cauã conseguiu ficar sentado sem suporte, teve melhora na fala e na capacidade respiratória Fernando Madeira
Motivos para sorrir

A evolução de criança com AME após tomar remédio mais caro do mundo no ES

No último 18 de março fez um ano que o pequeno Cauã recebeu o Zolgesma; neste período, o menino apresentou ganhos espetaculares e amenizou os efeitos da doença

Murilo Cuzzuol

Editor adjunto

Publicado em 31 de Março de 2023 às 17:20

Publicado em

31 mar 2023 às 17:20
Cerca de 15 dias após tomar a dose única do Zolgesma, Cauã conseguiu ficar sentado sem suporte, teve melhora na fala e na capacidade respiratória Crédito: Fernando Madeira
18 de março. Este não é o dia do aniversário do pequeno Cauã Barbarioli Guimarães, de 4 anos, mas é como se fosse para a família. Nesta data, há um ano, ele se tornou a primeira criança capixaba com Atrofia Muscular Espinhal (AME) Tipo 1 a receber a dose única do Zolgesma, considerada a terapia mais moderna indicada ao tratamento da doença. A família precisou passar por uma longa disputa judicial até conseguir o medicamento, considerado o mais caro do mundo — avaliado em cerca de R$ 11 milhões.
Neste intervalo de apenas um ano, Cauã apresentou uma evolução e desenvolvimento que surpreendem diariamente. Atividades simples como manter-se sentado sem precisar de suporte ou simplesmente segurar a própria garrafinha e beber água sozinho eram ações inimagináveis em um passado não tão distante.
Estas cenas e muitas outras vivenciadas todos os dias pela mãe dele, a servidora pública federal Aline Guimarães Muniz, e pelo pai, Igor Barbarioli Muniz, injetam doses diárias de esperança em relação ao futuro do filho.
"Nesse primeiro ano, já no início, nos primeiros 15 dias após a medicação, a gente observou algumas melhoras no ganho de força. O Cauã começou a sentar sozinho, sem apoio nenhum, passou a ter também mais autonomia em relação a pequenas atividades do dia a dia. Ele também está mais ativo, a fala dele melhorou muito... só coisa boa", conta a mãe.
"É uma grande vitória poder proporcionar isso para ele, o convívio com outras crianças, adquirir novas habilidades, socializar... há um ano isso nem passava pela nossa cabeça"
Aline Barbarioli Muniz - Mãe de Cauã

Evolução respiratória

As evoluções de Cauã não se limitam aos exemplos físicos que podem ser vistos com mais facilidade. A parte respiratória dele, diretamente afetada por conta da AME, também mostrou uma melhora significativa, ao ponto de diminuir a preocupação dos pais com eventuais engasgos do pequeno.
Vitória
Cauã sempre tem a companhia da mãe Aline (à esquerda). Já a fisioterapeuta Sabrina Prado dá atenção especial à evolução respiratória e física do menino Crédito: Fernando Madeira
"Para ser bem sincera, fora as questões motoras, como sentar sozinho, o que de fato me deixou mais feliz foi a melhora na parte respiratória porque era algo que incomodava muito a gente quando ele pegava um resfriado ou uma infecção. Era um quadro muito arrastado, precisava de muita intervenção da fisioterapia respiratória. Então agora ele já tem mais força para poder expelir as secreções quando necessário, se recupera mais rápido e a gente se preocupa menos", detalha Aline.
Figura importante na fisioterapia física e respiratória de Cauã, a fisioterapeuta do menino, Sabrina Prado, é enfática em dizer que desde a aplicação do Zolgesma, o quadro do garoto apresenta evolução constante e checada periodicamente.
"Na verdade a gente tem ferramentas da fisioterapia com as quais conseguimos avaliar essa função pulmonar. Então fazemos gráficos semanais e mensais, e percebemos que ele está tendo uma evolução crescente em relação ao aumento da capacidade pulmonar, além do aumento da força da tosse. E em relação as infecções respiratórias, a gente vê que ele conduz de uma forma muito mais tranquila com uma resposta muito mais rápida quando tem um agravamento do quadro", explica ela, antes de complementar sobre a diminuição da dependência dele dos aparelhos respiratórios devido ao ganho de autonomia.

Vida escolar

O ganho em qualidade de vida veio acompanhado com introdução de novas rotinas na vida de Cauã. O agora estudante frequenta a escolinha três vezes por semana, onde convive com outras crianças. Com a evolução da fala e a frequência escolar, Cauã demonstra habilidades até então pouco desenvolvidas.
Quis o destino, que no dia em que a reportagem de A Gazeta esteve com Cauã e a família, fosse celebrado o Dia da Poesia (21 de março). Sem titubear, pouco antes da encerrar a entrevista e gravação, Cauã declamou o poema "A Flor Amarela", de Cecília Meireles.
É desta forma simples e de evolução diária, que ele e os pais vivem um dia após o outro, com a certeza de uma vida de pequenas conquistas diárias, tão belas como a flor amarela do poema declamado por Cauã.

A Gazeta acompanha o caso desde 2021

► A Gazeta soube do caso de Cauã no início de 2021, quando o menino, então com pouco mais de dois anos, havia conseguido na Justiça o direito de receber o Zolgesma. A sentença, proferida pelo juiz Fernando Cesar Baptista Mattos, era inédita no Estado e com poucos casos de jurisprudência no Brasil.

►A alegria da família pela vitória jurídica, logo deu lugar à preocupação. Cerca de um mês depois, a União recorreu da decisão para não ter que arcar com os quase R$ 12 milhões do medicamento suíço, sob a alegação de já existirem outras terapias para a AME Tipo 1 oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS), além da ausência de elementos comprobatórios em relação ao Zolgesma.

►Além de seguir acompanhando a situação, o caso de Cauã originou uma reportagem sobre 
os motivos de alguns remédios custarem tão caros, na casa dos milhões de reais. Após quase um ano de incertezas, a União efetivou o depósito de aproximadamente R$ 11 milhões de reais para que o fármaco fosse fornecido.

► Assim como o recurso da União, A Gazeta também noticiou a efetivação dos valores, e pouco depois, 
o momento em que ele, enfim, recebeu a tão aguardada terapia. Passado mais um ano, uma nova visita à casa de Cauã e família, desta vez para mostrar a evolução dele após o tratamento.

► O caso de Cauã é apenas um no universo de cerca de 280 mil capixabas que convivem com algum tipo de doença rara e, desses, 210 mil são crianças e adolescentes, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

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