Na terça-feira (10/12), matéria veiculada em A Gazeta chamava a atenção para um problema que não somente levanta preocupações, mas principalmente desafios para enfrentá-lo. O título já é impactante: “Com tecnologia, quase 70% dos empregos do Espírito Santo podem ser extintos”. Isso em decorrência dos avanços tecnológicos que já se mostram presentes e daqueles que ainda virão. E o prazo para essa mudança é exíguo. Estamos falando dos próximos 30 anos.
As estimativas apresentadas na referida matéria se basearam em estudo realizado pela COPPE-RJ, vinculada a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), no seu Laboratório do Futuro, com foco no futuro do trabalho. Valendo-se de referenciais de estudos realizados em outros países, e inclusive em escala mundial, a COPPE simulou os impactos das transformações tecnológicas e inovações, a maioria das quais de natureza disruptivas, principalmente do ponto de vista da utilização da força de trabalho humano, já que outras formas de força de trabalho entrarão em cena: os robôs físicos, com a robótica, e os virtuais, com a inteligência artificial.
Baseado na estrutura atual do emprego formal, o estudo chega detalhes sobre quais empregos estarão sob ameaça, bem como também desce ao nível territorial de Estados e municípios. Para o Brasil, por exemplo, a estimativa é de que a desocupação tecnológica chegue em 30 anos a 60% dos atuais postos de trabalho. Para o Espírito Santo, esse percentual é ainda maior, aproximando-se dos 70%. O que representaria algo em tono de 570 mil postos de trabalho. Isso significa que o Espírito Santo, pelas características de sua economia e respectiva estrutura de emprego estará mais propenso a um maior impacto.
Em termos de grandeza, os números podem até soar exagerados, porém, servem para chamar a atenção para duas questões decisivas. A primeira diz respeito ao como nos preparamos para os impactos, adicionando capacidade criativa ao processo destrutivo – destruição criativa. E a segunda, em como dar proteção social ao crescente contingente de “inúteis” do ponto de vista produtivo, os “desencaixados” da economia.