Jonathan Ferr... Guarde esse nome, pois você ainda vai ouvir falar muito dele. Os motivos? São vários... O pianista carioca, de 32 anos, é talentoso, com excelente gosto musical (tem como referências artísticas, nomes como John Coltrane, Ed Motta, Herbie Hancock e Miles Davis) e um intenso amor pela arte - e toda a revolução social e cultural que ela pode proporcionar.
Nascido e criado no Morro da Congonha, em Madureira, zona norte do Rio de Janeiro, o músico está ganhando elogios em todo o mundo por ser um dos precursores do Urban Jazz, uma salada pop que mistura elementos do hip-hop, da música eletrônica, do samba e até do funk. “Tudo para dar uma nova roupagem ao jazz e tirar um pouco o seu ranço de elitista. Quero levar o gênero de volta às ruas”, pontuou o artista, durante entrevista para A Gazeta.
Curioso para conferir esse estilo musical? Jonathan Ferr (que, na verdade, é Jonathan Ferreira) é uma das atrações do “Marien Calixte Jazz Music Festival”, que acontece em Vitória neste sábado (19). Veja o serviço completo do evento no "Divirta-se".
Espetáculo à parte, Ferr, um homem politizado e ativista social quando o assunto é direito dos afrodescendentes, conversou com a reportagem sobre assuntos espinhosos, como a crise na segurança pública no país e a perda de direitos sociais das minorias. Lógico que também teve espaço para a cultura, como a abordagem das características do jazz urbano e como é ser um dos expoentes do chamado afrofuturismo, ao lado de nomes como os das cantoras Xênia França, Larissa Luz e Doralyce.
Você vem de uma comunidade do Rio de Janeiro, o Morro da Congonha, em Madureira. Como nasceu o seu amor pelo jazz em um ambiente mais acostumado a outros estilos, como o funk e o samba?
Você contou com o apoio familiar para a sua formação artística?
Fale um pouco sobre o Jazz Urbano, como nasceu esse conceito?
O show que você traz para Vitória será o mesmo apresentado no Rock in Rio, no início de outubro?
Fale mais sobre a sua visão de afrofuturismo...
Mudando de assunto, qual a sua visão sobre a crise de segurança pública por que passa o Brasil? A morte de Ágatha Félix foi uma tragédia anunciada?
Vivemos em uma sociedade dividida, pois parte dela ainda é considerada racista. O fato de termos um Governo Federal que já mostrou ser contrário aos ganhos sociais das minorias pode piorar ainda mais a situação?