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Morre cineasta francês Bertrand Tavernier aos 79 anos

Realizador é conhecido por comandar obras-primas, como "A Isca" e "Por Volta da Meia-Noite"

Publicado em 26/03/2021 às 15h48
Atualizado em 26/03/2021 às 15h48

Morreu nesta quinta-feira (25), aos 79 anos, o cineasta francês Bertrand Tavernier, autor de filmes como "Por Volta de Meia-Noite", "A Isca" e "Lei 627". O anúncio da morte foi feito pelo Instituto Lumière, de Lyon, que foi dirigido por ele.

Como alguns de seus colegas, Tavernier entrou no mundo do cinema pela via da crítica. Escreveu em publicações como "Cahiers du Cinéma", "Positif", "Combat", "Lettres Françaises", entre outros.

Bertrand Tavernier em cena no documentário Viagem
Bertrand Tavernier em cena no documentário Viagem "Através do Cinema Francês". Crédito: Reprodução

É autor de livros, alguns de referência, como "Trinta Anos de Cinema Americano" (em parceria com Jean-Pierre Coursodon), um tijolo de mais de 1200 páginas, considerado na França a bíblia sobre o assunto. Admirador do cinema B norte-americano, foi assistente de direção de Jean-Pierre Melville. Estreou como diretor com o episódio "Les Baisers" ("Os Beijos"), em 1964. A partir de então, deu início a uma filmografia bastante consistente, com ênfase num cinema narrativo sólido e bem trabalhado.

Amante do jazz, tornou-se mundialmente conhecido por "Por Volta da Meia-Noite", de 1986. Apesar de adotar o título de uma composição clássica de Thelonious Monk, a história é uma homenagem indireta a Charlie Parker, o gênio do bebop. Um saxofonista de verdade, Dexter Gordon, interpreta o personagem fictício Dale Turner que, na década de 1950, muda-se para Paris em busca de um pouco de paz e um público fiel. Um fã (François Cluzet) tenta fazer seu ídolo sobreviver ao alcoolismo e outros aditivos. 

Em 1995, a carreira de Tavernier encontrou talvez o seu ápice com o Urso de Ouro concedido pelo Festival de Berlim ao seu "A Isca". O filme concorreu também no Festival de Gramado, com prêmio de melhor atriz para Marie Gillain. Ela faz uma garota que, junto com dois amigos, vive de golpes aplicados em incautos. Tensa, bem trabalhada e fluida, a obra foi considerada um comentário cáustico sobre o materialismo e a amoralidade dos tempos contemporâneos.

Fiel à sua dupla persona de realizador e historiador, Tavernier finaliza sua carreira com o documentário "Viagem Através do Cinema Francês" ("Voyage à travers le cinéma français"), de 2016. Trata-se da panorâmica sobre uma cinematografia, a exemplo do que fizeram Martin Scorsese (sobre o cinema norte-americano e italiano) e Marc Cousins (uma série sobre o cinema mundial, outra sobre o cinema de mulheres).

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