O coronavírus que já fez mais de 100 vítimas fatais e infectou quase três mil pessoas no mundo. Mas não é um problema restrito à saúde pública. Começa a atingir a economia mundial. E a capixaba, por sua alta dependência do comércio internacional.
A tensão dos mercados, em função do temor da disseminação da doença, está derrubando preços de commodities importantíssimas para a balança comercial do Espírito Santo, como petróleo e minério de ferro. Para se ter uma ideia, em 2019, as exportações de minério pelo litoral capixaba somaram US$ 2 bilhões, valor equivalente a 23% da receita total dos embarques, segundo dados do Sindiex. A China é o maior freguês.
As bolsas de valores apresentam sintoma incontestável de apreensão no mundo dos negócios. Ações da Vale e da Petrobras derreteram-se no início desta semana. Juntas, as duas gigantes perderam R$ 34 bilhões em valor de mercado (o equivalente a uma Gerdau), em apenas um dia, na segunda-feira (27).
Foram as empresas mais impactadas no Ibovespa. O cotação de mercado da Vale caiu de R$ 275,9 bilhões para R$ 259 bilhões. A da Petrobras recuou de R$ 395,6 bilhões para R$ 378,8 bilhões. Na abertura da semana, o Ibovespa sofreu o maior tombo em dez meses.
Aliás, bolsas importantes, como a de Nova York e da Alemanha, também afundaram após a Organização Mundial da Saúde (OMS) reclassificar o risco internacional da doença como elevado, após avalia-lo, na semana passada, como moderado. Investimentos estão travados. Os contatos com a China passam por restrições, e o medo de redução prolongada da demanda afeta muitos negócios. O preço do petróleo recuou nesta semana. Por extensão, é uma ameaça à arrecadação capixaba de royalties e participação especial.
Certamente, amanhã ou depois a Vale a a Petrobras recuperarão a perda momentânea. Mas a questão não se resume a essas duas empresas, apesar da grande importância mundial de ambas. A questão que mais inquieta neste instante é a dificuldades de mapear ou diagnosticar a extensão dos danos econômicos do coronavírus no mundo.
O que ninguém duvida é que qualquer choque que enfraqueça a força econômica da China não irá se limitar ao território chinês. Logo se espalha afetando em outros países, em função das ligações comerciais e financeiras. Esse cenário é desfavorável à economia capixaba, que precisa crucialmente de exportar e importar, para que o seu PIB cresça.