Na semana em que foi consagrada a reforma da Previdência mais abrangente da história do país, o alívio fiscal proporcionado pela economia de R$ 800 bilhões em dez anos deve servir para oxigenar os esforços para a retomada do crescimento. O entusiasmo proporcionado pelas novas regras de aposentadoria tem de ser bem aproveitado, para deixar para trás a apatia dos últimos anos e favorecer um ambiente que seja fértil ao crescimento organizado.
Sim, o país ainda carece de organização, a reforma da Previdência foi a primeira demão de uma pintura ainda mais vibrante. As pinceladas seguintes estão sendo dadas, mas é preciso sistematizar as prioridades e seguir uma agenda estruturante, fundamental para os aguardados avanços econômicos e sociais.
O reposicionamento do Estado brasileiro passa a ser a nova trincheira, com uma reforma administrativa que supere tabus na relação com o funcionalismo. Assim como uma reforma tributária que simplifique as engrenagens do setor produtivo, garantindo mais competitividade. Há muito trabalho a ser feito.
Uma modernização dessa grandeza precisa estar fundamentada também em uma evolução educacional: sem a capacidade de formar profissionais, pesquisadores e cientistas não há desenvolvimento duradouro. Sem educação de qualidade e de resultados concretos, o país continuará não crescendo o suficiente para aumentar a renda e a produtividade, perpetuando um ciclo desvirtuado que precisa desaparecer.
É imprescindível, neste ponto, que o Brasil se apegue ao mundo real. Sem ilusionismos ideológicos, com apelos populistas. É um erro que deve ficar no passado: o gasto público não precisa ser exorbitante para ser eficiente. Mais uma vez, é preciso buscar organização. Infraestrutura, educação, produtividade... todos os setores que se relacionam com o crescimento econômico exigem mais racionalidade de investimentos, não recursos exagerados. O que ainda falta é planejamento estruturado.
A boa política se faz primordial, em um sentido mais amplo, com a participação ativa da sociedade e de seus diferentes setores (empresariado, acadêmicos, classe política). Um envolvimento que engatilhe as mudanças que ainda faltam. A reforma da Previdência sozinha nunca foi a salvadora da pátria.
A capacidade de articulação do governo Bolsonaro continuará sendo exigida. Assim como o comprometimento do Congresso com as pautas transformadoras. Passos já estão sendo dados rumo à desburocratização e à privatização; os juros nunca estiveram tão baixos. Há um otimismo no ar que não pode ser desperdiçado.