Um desabafo da professora Michele Ramos, de São José dos Campos (SP), nas redes sociais neste mês de julho mobilizou o debate público em torno de ameaças e hostilidades sofridas por educadores no Brasil. Um problema importante demais para um país que coloca acertadamente nas fragilidades da educação a razão de sua estagnação.
Ela registrou um boletim de ocorrência contra alunos que colocaram uma lâmina de vidro em seu copo d'água. Não chegou a beber porque foi alertada, mas o episódio foi traumatizante. "Não há terapia que me prepare para isso de novo", lamentou a professora em entrevista ao jornal O Globo.
Esse é um degrau a mais, com riscos à integridade física desses profissionais que se dedicam à transmissão do conhecimento, no cotidiano de desrespeito testemunhado por muitos professores em sala de aula.
Em um levantamento feito em 2024 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 47% dos professores brasileiros afirmam ser intimidados ou abusados verbalmente por alunos, sendo que a média global gira em torno de 18%.
Eles colocam essa situação como uma fonte de estresse, o que, além de todos os problemas de ordem pessoal, certamente tem impacto direto na própria qualidade do ensino, quando o ecossistema da escola se torna tão disfuncional. Como avançar nos índices educacionais com ambientes tão desfavoráveis?
Esse é um ponto que deve ser tratado de forma mais organizada no Brasil, em um debate honesto, sério e propositivo. Há também casos mais graves de ameaças e violência, em escolas localizadas em áreas de vulnerabilidade, o que já se torna um problema de segurança pública que também carece de soluções.
Na última terça-feira (28), houve um registro de violência entre alunos em uma escola de Castelo. Um caso típico de risco no ambiente escolar, que deveria ser seguro por excelência.
É certo que os professores precisam de mais apoio, não somente de gestores públicos e legisladores, mas das próprias famílias.
O desafio é descomunal, como se vê. Mas precisa ser encarado com vigor pela sociedade. Não é uma luta de um único setor, justamente pelo fato de a educação cercar tudo o que se refere à construção de um país com mais riquezas, justiça social e segurança. O ambiente escolar precisa ser mais saudável para todos.
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