Diz uma máxima popular que todo dia saem de casa um inocente e um malandro que vão acabar se encontrando, mas com a internet a lógica dos golpes há muito deixou de ser presencial. Ninguém precisa estar na rua para ser a próxima vítima diante dos perigos da vida virtual.
E esse tem sido um problema crescente de segurança pública: no Espírito Santo, os golpes eletrônicos tiveram um crescimento de 19,5% em 2025 e ajudaram a impulsionar o tradicional estelionato, que há cinco anos encabeça o ranking dos crimes patrimoniais no Estado, superando roubos e furtos.
Os dados são do mais recente Anuário de Segurança Pública e foram divulgados na semana passada pela colunista Vilmara Fernandes. Estatisticamente, é como se uma pessoa sofresse um golpe a cada dez minutos no Espírito Santo.
Os golpes e fraudes mais comuns, de acordo com o levantamento, são clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%), golpe do Pix (24%), uso indevido de CPF via SMS (13%) e leilão ou loja falsa (10%).
Existe uma sensação de impunidade, mesmo que se saiba que é cada vez mais possível derrubar o anonimato dos criminosos na internet. Mas esses crimes têm apuração ainda mais dificultada porque em muitos casos são redes que podem estar em qualquer lugar do mundo.
A lei 14.155/2021 alterou o Código Penal há cinco anos para aumentar o tempo de cadeia para quem aplicar golpes e furtar dados no ambiente digital. Mas até se chegar à prisão de quem pratica esses crimes, o caminho costuma ser longo e tortuoso. Há operações policiais sistemáticas para desbaratar quadrilhas, mas ainda com a dimensão de uma agulha no palheiro.
É um desafio e tanto, e um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que o estelionato é o crime mais temido no país, com mais de 83% dos brasileiros assinalando quem têm medo de serem a próxima vítima.
O maior escudo para esses golpes é a educação virtual, que precisa ser massiva. Levar o conhecimento do que é a engenharia social a um maior número de pessoas, porque engana-se quem pensa que só idosos são as vítimas. As técnicas de manipulação para convencer a pessoa a revelar dados e informações pessoais são muito engenhosas. As políticas públicas para combater a falta de informação precisam estar no mesmo nível.
De certa forma, o temor das pessoas ajuda a torná-las mais prevenidas. Outro ponto é aumentar a desconfiança quando diante de "oportunidades imperdíveis". É a educação pode colocar um freio na malandragem, tanto na vida real quanto na virtual.
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