Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Editorial
  • Da carne de boi ao pé de galinha, inflação impõe restrições ao consumo
Opinião da Gazeta

Da carne de boi ao pé de galinha, inflação impõe restrições ao consumo

É um retrato de um país que está precisando fazer sacrifícios para garantir a alimentação. Itens básicos como arroz, feijão e macarrão também estão sendo menos consumidos

Publicado em 23 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 set 2021 às 02:00

Colunista

carne
Carnes de frango e de porco ficaram mais caras no ES com a escalada dos preços dos cortes bovinos Crédito: Pixabay
Enquanto a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu, novamente, de 8% para 8,25% neste ano, quem vai às compras no supermercado tem sentido no bolso o peso da carestia desde o ano passado. As elevações subsequentes do índice oficial da inflação no país corroboram o que se testemunha no dia a dia e provocam uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a substituir itens alimentícios ou, no pior dos casos, a cortá-los da lista de compras.
Uma pesquisa do Datafolha realizada de 13 a 15 de setembro expõe em números o quanto a inflação em 2021 tem mudado aquilo que vai à mesa dos brasileiros. E o percentual é alto: 85% dos entrevistados afirmam ter reduzido o consumo de algum produto desde o início do ano, sendo os mais citados a carne de boi (67%), refrigerantes e sucos (51%), laticínios (46%) e pães (41%).
É um retrato de um país que está precisando fazer sacrifícios para garantir a alimentação. Itens básicos como arroz (34%), feijão (36%) e macarrão (38%) também estão sendo menos consumidos. Mas, por serem mais difíceis de serem substituídos, a redução é em uma escala menor.
Os cortes na lista não estão afetando somente os mais pobres. A pesquisa aponta que, por faixa de renda, os percentuais são altos mesmo nas famílias que recebem mais dez salários mínimos: 67% relatam ter cortado algum item alimentício. Mas é de fato nas camadas mais baixas que o impacto da inflação é escandaloso: na faixa da população com até dois salários, 88% das pessoas estão fazendo ainda mais restrições. Se já não era fácil, o tombo do poder de compra tem tornado as escolhas ainda mais duras.
No esquema das substituições, o ovo vira a proteína principal. Na pesquisa, 50% afirmaram ter aumentado o seu consumo. Enquanto a carne de boi se transforma em um item de luxo, o frango e o porco ganham espaço. Mas o que tem chamado atenção é o consumo de partes mais baratas como o pé de galinha e a moela, visto que o frango também encareceu.
"Dizem que pé de frango faz bem para os ossos, mas eu digo que faz bem para o bolso", sentenciou a cozinheira Irene Moreno, de Sorocaba, em reportagem do Estadão Conteúdo. São cortes apreciados por muitas pessoas, inclusive chefs de cozinha, mas a questão é quando não se trata de uma escolha por gosto, mas por falta de dinheiro. E é essa a situação de tanta gente.
Como nas imagens divulgadas, há dois meses, de uma fila em um açougue de Cuiabá, no Mato Grosso, formada para o recebimento de ossos. Fila que reuniu pessoas em dificuldades financeiras graves, que viram naquela doação a possibilidade de colocar um pouco de carne na panela, para garantir o sustento da família.
Dados de 2020 da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) mostram que há 19 milhões no país em situação de fome. A insegurança alimentar ganha espaço em um país no qual o desemprego atinge 14 milhões de pessoas.
As incertezas dominam o cenário econômico nacional. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou nesta terça-feira (21) uma projeção de que a inflação no  Brasil deve ficar entre as maiores do mundo em 2021, considerando um grupo de cerca de 20 economias. Pelas perspectivas, o país só ficará atrás da Turquia (17,8%) e da Argentina (47%).
A inflação é multifatorial, envolvendo variações no câmbio, flutuação das commodities, aumento da exportação. E obviamente a pandemia bagunçou tudo. É preciso começar a arrumar a casa de forma categórica e ordenada, é uma prioridade. O preço que se paga pela inércia é o crescimento da miséria.
Os ajustes na economia familiar expõem as dificuldades compartilhadas pelos brasileiros, mas não é preciso muito esforço para saber que há uma parcela da população mais prejudicada pela inflação. As desigualdades na paisagem inflacionária ficam mais evidentes e exigem uma reação articulada. A dificuldade de se colocar comida na mesa é uma desumanidade que jamais poderia ser naturalizada.

{{ndFunctionFirstNotNull(post.original_author.attributes_map.descricao_de_colunista.value,post.original_author.biography)}}

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Mendonça autoriza segundo inquérito da PF contra Lulinha
Lucas Dias morava na casa interditada após desabamento que deixou quatro mortos em Cariacica
Tragédia que matou 4 em Cariacica interdita casa e deixa família desalojada
Lâmpada, conta de luz, iluminação, energia elétrica
Conta de luz manterá bandeira tarifária amarela em agosto

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados