O Espírito Santo entra em uma semana decisiva no enfrentamento da pandemia. Desde o início da crise, o panorama nunca esteve tão crítico, de acordo com o Mapa de Risco que norteia as ações do governo estadual, o que nos aproxima de medidas mais drásticas. Com 36 municípios classificados como "risco alto", para que se mantenha a atividade econômica controlada nos termos determinados pelos decretos estaduais será necessário um comprometimento da população com o isolamento social.
Vale sempre lembrar que o funcionamento escalonado de comércio e serviços não são sinônimo de normalidade. Ficar em casa permanece sendo a única forma de conter o contágio do novo coronavírus.
Portanto, para evitar o pior, o decreto de um lockdown, a responsabilidade recai, sim, sobre a população. Não dá para encarar o isolamento como restrição de liberdade quando há tanta gente perdendo a vida.
Um dos argumentos de negacionistas acabou de cair por terra, quando se constatou que, em dois meses, a Covid-19 já matou mais do que todos os homicídios no Estado neste ano, desde janeiro. Nos primeiros cinco meses de 2020, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) registrou 514 assassinatos. Já a primeira morte por coronavírus foi confirmada pela Secretaria de Saúde (Sesa) no dia 1º de abril. Desde então, foram 604 óbitos. Ignorar a letalidade da doença é não só se colocar em risco, mas incluir toda a sociedade nesta roleta russa.
O Mapa de Risco aponta outro dado alarmante. Com 42 cidades em risco moderado, não há mais nenhum município no nível mais baixo. O novo coronavírus, portanto, deixou de ser definitivamente um problema restrito aos grandes centros urbanos, atingindo uma interiorização que une todo o Estado na batalha para conter a sua disseminação.
A atuação das prefeituras será imprescindível, principalmente na fiscalização, a fim de evitar aglomerações em todas as cidades. Sem administrações municipais que se façam presentes, qualquer medida se torna inócua. E abre espaços para a doença continuar se espalhando entre as pessoas.
"Se nada adiantar, chegaremos ao risco extremo, no qual teremos a paralisação total do comércio", reforçou o governador Renato Casagrande na última sexta-feira (05). É uma corrida contra o tempo incessante, sem relaxamento. Só a atitude individual é capaz, neste momento, de evitar um lockdown. É importante, portanto, que o próprio empresariado, que defende a manutenção das atividades, também se mobilize pelas medidas de segurança, garantindo distanciamento, itens de higienização e máscaras para o funcionamento dos seus negócios.
O sistema de saúde está sob constante pressão durante a pandemia, se colapsar não haverá saída para os novos casos. É certamente a situação mais dramática já vivida em gerações.
No Brasil, já chegamos ao ponto em que uma pessoa morre de Covid-19 por minuto. Na quinta-feira (04), o Brasil passou a Itália no número total de mortos, colocando-se no terceiro lugar dos países com mais óbitos na pandemia do planeta. Naquele mesmo dia, o país registrou 1.492 mortes, ante as 5.511 ocorridas no resto do mundo. O que significa que, naquela data, uma em cada quatro pessoas mortas por Covid-19 estava no Brasil. Com todos esses dados, continuar se expondo ao risco deixa de ser ignorância e passa a ser simplesmente estupidez.