A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou nesta terça-feira (12) que a Ypê apresentou 239 medidas corretivas para conseguir reverter a determinação de recolhimento e suspensão de fabricação de parte dos seus produtos de limpeza.
Em reunião na sede da agência, representantes da Ypê mostraram as ações em andamento, segundo o órgão regulador. Os diretores da Anvisa devem avaliar na quarta-feira (13) um recurso da empresa.
A empresa informou que as equipes da fábrica de Amparo (SP) "intensificaram o trabalho para atender a 239 ações corretivas, com o objetivo de cumprir as exigências da vigilância sanitária", ainda de acordo com a Anvisa. "As medidas consideram também inspeções realizadas em 2024 e 2025", disse a agência.
No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes da Ypê com a numeração final 1 fabricados em Amparo. A agência também suspendeu a produção dos produtos.
"Na quarta-feira (13/5), a Diretoria Colegiada da Anvisa avaliará o recurso suspensivo apresentado pela empresa na última sexta (8/5)", disse a Anvisa.
Segundo a agência, participaram da reunião o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, e o diretor Daniel Meirelles, que é responsável pela área de fiscalização, além do presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior, e o vice-presidente de operações da empresa, Jorge Eduardo Beira.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais e acusaram a Anvisa de perseguição política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou uma foto com detergente da marca no sábado (9), enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), defendeu a marca.
Na segunda-feira (12), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que vídeos "irresponsáveis" tentam transformar a suspensão de lotes de produtos de limpeza da Ypê em disputa política.
Ainda afirmou que as medidas contra a empresa envolveram análises do setor de vigilância do estado de São Paulo, que é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro, além da área comandada na Anvisa por Daniel Meirelles, que foi indicado ao cargo pelo ex-presidente.