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Inflação

Venda de sobras é "forma criativa de mostrar alternativas", diz associação de supermercados

Vice-presidente da Abras diz que venda de produtos como carcaça e pele é pontual e está dentro da lei

Publicado em 14 de Julho de 2022 às 19:58

Agência FolhaPress

Publicado em 

14 jul 2022 às 19:58
CURITIBA - O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan, afirma que a venda de produtos como carcaça, pele de frango e sobras de alimentos, que vem ganhando espaço como alternativas mais baratas diante da inflação, está dentro da lei.
Em entrevista a jornalistas nesta quinta (14), ele definiu esses produtos como uma forma criativa de mostrar alternativas para quem procura algo diferente.
Questionado se a Abras orientaria os estabelecimentos sobre o tema, Milan declarou que todos os produtos comercializados pelos supermercados estão dentro de legislação regulada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e que esses casos são pontuais.
"Tem algumas medidas que chamamos de coisas pontuais, que acabam ocorrendo em determinadas lojas ou em determinadas regiões, muitas vezes para atender e até uma forma criativa de mostrar alternativas, vamos dizer assim, para aquele consumidor que eventualmente está procurando algo um pouco diferente."
Supermercado
Carrinho de compras em supermercado: associação diz que vendas de sobras são pontuais, para atender clientes que procuram algo diferente Crédito: topntp26/ Freepik
Para Rodrigo Afonso, diretor-executivo da organização não governamental Ação da Cidadania, a venda de itens que costumavam ser descartados ou doados, como no caso das carcaças, é uma tentativa dos supermercados de lucrar com a fome.
"Você vê pessoas vendendo carcaças, ossos, tudo isso... Por mais que seja pontual, é um absurdo que os supermercados deixem isso acontecer."
Ele diz que a situação piorou com o crescente número de brasileiros passando fome. "As populações não conseguem consumir os produtos que eles vendem, e o pouco que conseguiam usar de sobras, agora estão sendo vendidos também para tentar arrumar alguma maneira de lucrar com isso."

DESIGUALDADE SOCIAL

André Braz, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que o cenário é retrato da situação econômica do país e seu reflexo no poder aquisitivo das famílias. "Eu não acho isso normal, acho que é retrato de uma situação que a gente tem de mudar, e a mudança vem no combate à desigualdade que se inicia com os investimentos em educação."
Para o economista, o contrário vem acontecendo. "O que a gente vê na propaganda política e mesmo na PEC que saiu agora é combater a inflação com certo artificialismo, redução de imposto, o que deixa esse cobertor cada vez mais curto."
"Como vai ficar a verba para saúde, para educação, com essas reduções, em que as prefeituras e estados terão que arcar com redução de ICMS de telecomunicação, de energia, de gás, de gasolina?", questiona Braz.
"Imposto na gasolina, cigarro, bebida, em supérfluos ou bens de luxo são bem-vindos em um país desigual como o nosso, exatamente para diminuir a chance de ocorrerem coisas como essa", conclui o economista.

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