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Relatório financeiro

Vale reverte prejuízo e lucra R$ 26,7 bilhões em 2020

A Vale registrou um lucro líquido de R$ 26,713 bilhões em 2020, um salto em relação ao prejuízo de R$ 6,672 bilhões em 2019

Publicado em 26 de Fevereiro de 2021 às 13:10

Publicado em 

26 fev 2021 às 13:10
Usina 8 (Oitava usina) de pelotização da Vale, no Complexo de Tubarão
Usina 8 (Oitava usina) de pelotização da Vale, no Complexo de Tubarão Crédito: Mosaico Imagem/Agência Vale/Divulgação
Vale registrou um lucro líquido de R$ 26,713 bilhões em 2020, um salto em relação ao prejuízo de R$ 6,672 bilhões em 2019. Segundo dados divulgados pela companhia na noite desta quinta-feira (25), o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 87,34 bilhões no ano passado, mais que o dobro dos R$ 42,31 bilhões de 2019.
A receita operacional líquida totalizou R$ 208,5 bilhões em 2020, R$ 59,9 bilhões a mais que em 2019. A alta reflete o efeito positivo da desvalorização do real frente ao dólar e da alta de 23% nos preços do minério de ferro.
Os custos e despesas, incluindo Brumadinho, totalizaram R$ 151 bilhões em 2020, R$ 7,3 bilhões acima de 2019, em função do efeito negativo da desvalorização do real frente ao dólar e de maiores custos de aquisição de minério de ferro de terceiros.
Com o resultado, o conselho de administração da Vale aprovou a distribuição de R$ 4,26 por ação (aproximadamente US$ 0,77 por ADR, certificado de ação negociados nos Estados Unidos) com relação aos ganhos do segundo semestre de 2020. Serão R$ 3,426505027 por ação na forma de dividendos e R$ 0,835881956 por ação na forma de juros sobre o capital próprio.
No quarto trimestre de 2020, a mineradora teve um lucro líquido de R$ 4,8 bilhões e Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 23,492 bilhões (US$ 4,24 bilhões). O resultado ficou abaixo das projeções do mercado compiladas pela Refinitiv de R$ 49,49 bilhões (US$ 8,98 bilhões) devido a gastos relacionados à Brumadinho.
O desempenho da Vale no período foi impulsionado pelo aumento de 17% dos preços realizados de minério de ferro e pela alta de 26% no volume de vendas.
A mineradora terminou 2020 com US$ 13,5 bilhões (R$ 74,40 bilhões) em caixa e equivalentes de caixa, acima da dívida bruta de US$ 13,4 bilhões (R$ 73,85 bilhões).
A empresa segue em crescimento desde a ruptura da barragem de Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, que deixou um rastro de destruição na região e levou ao aumento nas restrições para a operação de barragens de rejeito de minério no país.
No quarto trimestre, a companhia retomou parcialmente todas as operações de refinos de minério de ferro paralisadas em 2019.
A empresa trabalha para reduzir a dependência do uso de barragens, e tem o objetivo de atingir 70% de processamento a seco até 2024.
No relatório de resultados, a Vale afirmou que trabalha para ter as 32 estruturas de barragens atualmente em nível de emergência em condições satisfatórias até 2025.

BRUMADINHO E COVID-19

Tirando os custos com Brumadinho e as doações relacionadas ao Covid-19 no período, o Ebitda foi de US$ 9,10 bilhões.
O valor trimestral das despesas se deve, principalmente, ao impacto do acordo para reparação de Brumadinho, no valor de US$ 3,872 bilhões (R$ 21,34 bilhões), e provisões adicionais para descaracterização de barragens de US$ 617 milhões (R$ 3,4 bilhões).
Segundo a empresa, a reparação de Brumadinho continua sendo uma prioridade e, até fevereiro de 2021, mais de 9.100 pessoas foram indenizadas individualmente. Um total demais de R$ 13 bilhões, detalha a empresa, foi destinado para pagamento de indenizações, obras de infraestrutura e a iniciativas de reparação ambiental e socioeconômica.
Com relação à pandemia, a Vale destinou mais de R$ 500 milhões a governos locais no Brasil. Em Minas Gerais, a companhia apoiou dois hospitais com recursos de R$ 10 milhões para ampliação de alas.
Segundo a empresa, recursos também foram doados a governos e instituições de outros países onde atua, como Canadá e Indonésia.
A estrutura logística da operação da Vale na China foi dedicada à compra e ao transporte de 30 milhões de EPIs (equipamentos de proteção individual) e 5 milhões de testes rápidos para a detecção do novo coronavirus para instituições públicas de saúde no Brasil.

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