Publicado em 15 de janeiro de 2023 às 18:28
BRASÍLIA, DF - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adiar o relançamento do Minha Casa Minha Vida (MCMV), programa de habitação das gestões petistas e cuja retomada foi promessa de campanha de Lula.>
Segundo interlocutores do governo, a maioria das unidades está em situação de precariedade. A decisão deve ser tomada em reuniões no Palácio do Planalto, na segunda-feira (16).>
A ideia era retomar o MCMV na próxima sexta, durante visita do petista à Bahia. Ele iria inaugurar um conjunto habitacional em Feira de Santana.>
Entretanto, as mais de 240 casas do local, que foram contratadas durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), não estão prontas para serem habitadas.>
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A situação se repete em mais de 2.600 residências pelo país, representando 65% das casas que estão finalizadas e não foram entregues, segundo a Casa Civil.>
O ministro da pasta, Rui Costa, esteve em Santo Amaro e em Feira de Santana no sábado (14), para vistoriar as obras.>
"Apesar de o prédio estar pronto, o acesso não está. Eu vim aqui fazer uma vistoria de perto, mas aqui não tem condições de entregar em uma semana", disse Rui Costa, em visita ao local.>
Em Feira de Santana, onde há 240 casas, será preciso mais cerca de 30 dias para finalizar as reformas. Por isso, o ministro conversará com o presidente e a ida de Lula para o local pode ser adiada.>
Esta seria a primeira visita do presidente ao Nordeste, desde que ganhou a eleição.>
De acordo com o titular da Casa Civil, o local ficou sem vigilância durante um período e foi roubada fiação e quebrado vidro. Para repor, será preciso de 20 a 30 dias.>
A retomada do Minha Casa Minha Vida, em especial a entrega de casas da faixa 1 (famílias com renda mais baixa) é uma das prioridades do governo Lula 3. O governo tem R$ 10 bilhões reservados para o programa habitacional no Orçamento de 2023.>
As sinalizações sobre os rumos do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida foram uma injeção de ânimo para o setor de construção civil, mas não garantem revisão imediata de projeções, segundo o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Industria da Construção), José Carlos Martins.>
Na véspera, o novo ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, havia prometido que sua equipe vai começar a trabalhar "imediatamente" em uma reconstrução do programa habitacional, que será sua prioridade.>
Ele afirmou que o presidente pediu que as moradias populares tenham varandas. "[Lula] Diz que o programa tem de levar dignidade, ajudar a diminuir as desigualdades do país", declarou Jader.>
"Não é porque a pessoa precisa do apoio do governo que pode se receber uma obra qualquer, de baixa qualidade. Ao contrário, temos de ofertar o melhor possível ao povo brasileiro", disse ainda o novo ministro.>
O Minha Casa Minha Vida foi substituído em 2020, no governo de Jair Bolsonaro (PL), pelo Casa Verde e Amarela, que não decolou. O programa sofreu reduções expressivas de verba ano a ano e tirou de seu foco a faixa 1, voltada às famílias mais pobres.>
O Brasil tem uma deficiência de 5,9 milhões de casas, segundo diagnóstico da Fundação João Pinheiro para o ano de 2019, o mais recente disponível.>
Nesse universo, há cerca de 1,5 milhão de domicílios precários, que incluem aqueles improvisados em barracas ou viadutos e os classificados como moradias rústicas (sem reboco ou de pau a pique).>
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