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Coronavírus

Pressionada por bancos, Bolsa fecha com queda de 0,2%; dólar fica a R$ 5,35

Este é o menor valor de fechamento da moeda desde o dia 29 de abril; setor bancário teme que o juro do cheque especial e cartão de crédito seja limitado pelo Congresso

Publicado em 26 de Maio de 2020 às 19:44

Redação de A Gazeta

Publicado em 

26 mai 2020 às 19:44
Data: 13/03/2020 - ES - Vitória - Cédula de Real e Dólar- Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
 Cédula de  Dólar Crédito: Ricardo Medeiros
Apesar de operar em alta em boa parte do pregão, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com baixa marginal de 0,23%, aos 85.468,91 pontos, nesta terça-feira, 26, após ser pressionada pelo setor bancário. Já o dólar cedeu influenciado pelo otimismo no mercado exterior e fechou com queda de 1,83%, cotado a R$ 5,3578 - menor resultado desde o dia 29 de abril.
Os temores do setor bancário nesta segunda, se devem a um projeto de lei do senador Weverton (PDT-MA), que pauta o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). A proposta é que a taxa saia dos atuais 20% e passe para 50%, o que afetaria diretamente o lucro dos bancos. Nos bastidores, o setor trabalha para um aumento de apenas 25%. Com a possibilidade, as ações do Bradesco caíram 4,52% e as do Banco do Brasil tiveram queda de 2,25%, o bastante para derrubar a leve alta da Bolsa.
Apesar da queda no final, a Bolsa registrou ganhos em boa parte do pregão, após a empresa americana Novavax informar na última segunda-feira, 25, que vai começar o primeiro estudo em humanos da sua vacina experimental contra o novo coronavírus. Também influenciou os investidores, os processos de reabertura gradual da economia na Europa, Estados Unidos e Japão.
Em meio a esse cenário, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, chegou a subir até os 87.332,53 pontos, maior nível para um pregão desde 10 de março. No final do pregão, já pressionada pelos bancos, a Bolsa tinha um ganho marginal de apenas 0,30%, resultado menor que a alta de 4,25% (85.663,48 pontos) da véspera, enquanto as Bolsas de Nova York estavam fechadas devido a um feriado
Com os resultados de hoje, a Bolsa tem ganho de 4,01% na semana e alta de 6,16 no mês, mas ainda cede 26,09% no ano.
A Magazine Luiza foi uma das empresas mais beneficiadas no pregão desta terça, com alta de 6,75%, após o presidente da empresa, Frederico Trajano, dizer que o caixa da companhia tem fôlego para suportar dois anos de lojas físicas fechadas devido ao bom desempenho das vendas e-commerce. Nesse mesmo setor, também foram beneficiadas as ações da Hypera, com alta de 7,02%.

CÂMBIO

O real foi favorecido na sessão de hoje, após a queda generalizada do dólar no mercado exterior, frente ao otimismo dos investidores com os processos de reabertura de algumas das maiores economia do mundo. Nesse cenário, a libra e o euro foram mais buscados que a moeda americana, o que ajudou a diminuir o valor da divisa. Na mínima do dia, o dólar caía a R$ 5,3348.
Com os resultados de hoje, a moeda americana conseguiu zerar a alta do mês de maio e agora tem queda de 1,48%. Nem mesmo as previsões de um possível corte de mais 0,75 ponto na Selic, taxa básica de juros da economia, conseguiu conter a desvalorização do dólar. Ainda nesta terça, o dólar para junho fechou com queda de 1,63%, cotado a 5,3565.

CENÁRIO LOCAL

A briga pública entre Jair Bolsonaro e sua família, com o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, impediu que a Bolsa tivesse ganhos maiores. Antigo aliado que contribuiu para a eleição de Bolsonaro em 2018, Witzel teve apreendidos aparelhos celulares e outros pertences em seus endereços, inclusive residenciais, nesta terça-feira, 26.
Nem mesmo o tão esperado pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, conseguiu diminuir as incertezas do mercado. Em discurso, o deputado pediu pela “pacificação dos espíritos” e a preservação da democracia, mas não comentou sobre o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, apontada como peça chave nas denúncias do ex-ministro Sérgio Moro. Os 35 pedidos de impeachment contra Bolsonaro que aguardam em sua mesa, também não foram mencionados.
Além das preocupações com o cenário político, o investidor acompanha a situação do setor aéreo. Diante dos impactos negativos da pandemia, a Latam e suas unidades no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos pediram recuperação judicial nos EUA. Mesmo que as atividades da empresa no Brasil, na Argentina e no Paraguai não estão estejam incluídas a notícia gera cautela.
O desempenho da economia também segue no radar do mercado. O País registrou a maior deflação desde a implantação do Plano Real, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial. Os preços da economia recuaram 0,59% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 26.

CENÁRIO INTERNACIONAL

O mercado foi favorecido nesta terça, pela decisão do Japão de remover o estado de emergência que havia sido declarado em Tóquio e em quatro outras áreas, pondo fim à imposição de restrições no território nacional.
A onda de bom humor deixou temporariamente de lado preocupações com crescentes tensões entre EUA e China, que voltaram a se desentender depois que Pequim ameaçou impor uma nova lei de segurança nacional a Hong Kong na semana passada.
Já na Alemanha, o índice de confiança do consumidor subiu da mínima histórica de -23,1 pontos em maio para -18,9 pontos em junho, segundo projeção divulgada nesta terça-feira pelo instituto GFK.

PETRÓLEO

Os sinais de recuperação da demanda e também os cortes na oferta já anunciados por países produtores de petróleo, ajudaram a fortalecer a commodity nesta terça. Além disso, as expectativas em torno de uma vacina contra o coronavírus, também beneficiaram o mercado, aumentando o apetite dos investidores por riscos.
Com isso, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 3,31%, a US$ 34,35 o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 1,72%, a US$ 36,74 o barril.

BOLSAS DO EXTERIOR

As Bolsas da Ásia fecharam com alta generalizada nesta terça. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,01% e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 2,21%. O Hang Seng se valorizou 1,88% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi registrou ganho de 1,76% em Seul e o Taiex subiu 1,16% em Taiwan. O japonês Nikkei fechou com alta de 2,55% e na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 2,93% em Sydney.
Resultados parecidos também tomaram espaço na Europa, com o Stoxx 600 fechando com ganho de 1,08%. Na Bolsa de Frankfurt, o DAX avançou 1,0%, em Paris, o CAC 40 subiu 1,46% e em Londres, o índice FTSE 100 avançou 0,87%. Na bolsa de Milão, o FTSE MIB registrou alta de 1,50% enquanto em Madri, o Ibex 35 ganhou 2,15%. Já o índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, subiu 0,52%.
Os ganhos ainda se estenderam as Bolsas de Nova York. O índice Dow Jones fechou em alta de 2,17%, o Nasdaq avançou 0,17% e o S&P 500 subiu 1,23%. Já na reta final do pregão, a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avaliava sanções contra autoridades da China por causa da repressão em Hong Kong, provocou a perda de força dos índices de NY.

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