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Preço de cesta da Páscoa está quase 30% mais caro neste ano

Mesa da ceia de domingo ficará mais magra diante da alta nos preços dos produtos e da queda na renda dos brasileiros, aponta estudo da FGV

Publicado em 01/04/2021 às 15h26
Atualizado em 01/04/2021 às 15h26
Cesta de Páscoa medida pela FGV tem deflação de 0,99%
Cesta de Páscoa medida pela FGV está mais cara. Crédito: Marcelo Camargo | Agência Brasil

A pressão nos preços dos alimentos vai pesar no bolso do consumidor na Páscoa neste ano. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a inflação da chamada cesta de Páscoa - com os alimentos mais presentes no cardápio da ceia de domingo - saiu de 0,56% no acumulado de 12 meses até março do ano passado para 29,17% em igual período deste ano.

A alta dos preços da cesta de Páscoa ficou bem acima do IPCA - que saiu de 3,44% nos 12 meses até março de 2020 para 5,74% na mesma relação neste ano.

No total, 12 dos 14 itens presentes na cesta mostraram alta. Entre os destaques estão o arroz, que saiu de 9,63% na Páscoa do ano passado para uma alta de 60,79% neste ano. Outro exemplo é a cebola, que saiu de uma queda de 15,86% em 2020 para uma alta de 50,9% neste ano, e a batata-inglesa, que saiu de uma queda de 28,93% para um avanço de 27,82%.

Os preços dos ovos e do bacalhau foram os únicos que desaceleram no período - mas que, ainda assim, representaram um aumento de preços. Os ovos saíram de uma alta de 17,38% para 12,05%, enquanto o bacalhau saiu de 13,35% para 7,28%.

Segundo o economista e coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da FGV, André Braz, a chegada da pandemia trouxe diferentes fatores que contribuíram para o aumento no preço dos alimentos.

"Com a variação cambial, por exemplo, produtos importados como vinho e azeite ficam mais caros. Outra coisa que também influenciou foi a pequena safra de arroz no ano passado diante do aumento da demanda", afirmou.

A disparada nos preços do arroz vem desde o ano passado e é resultado do que os produtores chamam de "tempestade perfeita". Além do aumento das exportações em 2020, a maior busca do brasileiro por arroz -que passou a comer mais em casa durante a pandemia do coronavírus- também dificulta o equilíbrio na relação entre oferta e demanda.

Outro movimento que também pode influenciar no aumento dos preços é a mudança de hábito de compra em supermercados.

Por conta do isolamento social, o brasileiro deixou de fazer compras semanais ou quinzenais e passou a fazer compras mensais -comprando também um maior volume de produtos a cada ida ao mercado.

"Outra diferença gritante é que na Páscoa do ano passado muitas famílias ainda não tinham sido afetadas pelo desemprego e restrição de venda como neste ano", afirmou Braz.

Para ele, nem mesmo usando a criatividade e substituindo alguns produtos na ceia de domingo o consumidor vai conseguir fugir da inflação de Páscoa.

"A melhor solução é comprar produtos que não sejam de marcas líderes ou até comprar com antecedência e não deixar para a última hora. O fato é que não vai dar para fugir. Tudo ficou mais caro", afirma Braz.

PRODUÇÃO DE CHOCOLATES

O último levantamento da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas) e da KPMG apontou que o setor produziu 757 mil toneladas de chocolates em 2020, volume praticamente estável (0,05%) em relação ao ano anterior.

Ao todo, o Brasil exportou 29,6 mil toneladas chocolates para 145 países -saldo 3,7% superior em comparação a 2019 e que corresponde a um valor total de US$ 100,6 milhões (R$ 579,9 milhões). Os principais destinos foram Argentina, Paraguai e Uruguai.

Para as importações o volume foi de 16 mil toneladas, representando um valor de US$ 114,2 milhões (R$ 658,3 milhões).

Para a Páscoa deste ano o setor chocolateiro afirma estar mais preparado depois do baque de 2020, quando foram pegos de surpresa pela pandemia. Remodelado para o novo normal, o segmento promete produtos para todas as faixas de preço e uma área de vendas bem mais preparada para a internet.

O presidente da Abicab, Ubiracy Fonsêca, já havia afirmado à Folha que parte da preparação veio na antecipação das compras com fornecedores e da entrega dos produtos aos pontos de venda.

"Nos planejamos e fizemos todo um trabalho de investimento nos canais de distribuição, aplicativos, online, marketplaces, drive-thru e WhatsApp, por exemplo. Além disso, como não tivemos Carnaval, conversamos com os supermercados para que aceitassem receber os ovos antes da data tradicional", afirmou.

Em 2020 o setor produziu cerca de 8,5 mil toneladas de ovos e produtos de Páscoa. Segundo a associação, os números de 2021 ainda não estão consolidados, uma vez que as indústrias seguem em processo de produção.

O setor chocolateiro ainda prevê 11.665 contratações temporárias para atender à demanda do período neste ano, um aumento de 4,8% em relação a 2020.

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