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Petrobras fecha 2020 no azul e tem lucro líquido de R$ 7,1 bilhões

Em comunicado que anunciou o resultado, o presidente demitido da estatal, Roberto Castello Branco, afirmou: "Entregamos nossas promessas'

Publicado em 24/02/2021 às 21h57
Atualizado em 24/02/2021 às 21h57
Unidade da Petrobras Fazenda Alegre
Unidade da Petrobras no Norte do ES. Crédito: Sindipetro-ES/Divulgação

Petrobras reverteu no quarto trimestre de 2020 os prejuízos recordes provocados pela pandemia e fechou 2020 com lucro de R$ 7,1 bilhões. O resultado foi provocado pela reversão de perdas contábeis no valor de ativos e por ganhos cambiais, que levaram o lucro do quarto trimestre a R$ 59,9 bilhões.

O balanço foi divulgado nesta quarta (24), em meio à crise provocada pela nomeação do general Joaquim Silva e Luna para substituir, no comando da empresa, o economista Roberto Castello Branco, primeiro presidente da estatal sob o governo Jair Bolsonaro.

"Em meio à severa recessão global e aos efeitos de um grande choque na indústria de petróleo, nós prometemos estruturar uma recuperação em 'J'. A meta era sair da crise melhor que antes", afirmou Castello Branco. "Nós entregamos nossas promessas."

O lucro ficou 82,3% abaixo do recorde de R$ 40,1 bilhões registrado em 2019, primeiro ano de Castello Branco à frente da companhia. Mas ficou bem acima das estimativas do mercado que previam que a companhia fechasse o quarto trimestre com lucro de R$ 9,9 bilhões, o que representaria um prejuízo anual de cerca de R$ 43 bilhões.

No segundo trimestre de 2020, logo após o início da pandemia, a empresa anunciou uma série de revisões no valor de seus ativos, para adequar a expectativa de receita ao novo cenário de preços do petróleo, que levaram a prejuízo de R$ 48,5 bilhões.

Em três trimestres seguidos de prejuízo em 2020, a companhia acumulou perdas de R$ 52,8 bilhões. No quarto trimestre, diz a companhia, o lucro foi obtido com a reversão de perdas contábeis em ativos no valor de R$ 31 bilhões, ganhos cambiais de R$ 20 bilhões e reversão de gastos passados do plano de saúde de seus empregados em R$ 13,1 bilhões.

Sede da empresa Petrobras na Reta da Penha em Vitória

Sede da Petrobrás na Reta da Penha
Esta semana a empresa estatal voltou a ser o centro da atenção do noticiário econômico. Vitor Jubini
Sede da Petrobrás na Reta da Penha
O fato do presidente Jair Bolsonaro interferir na escolha do presidente da empresa causou questionamentos. Vitor Jubini
Sede da Petrobrás na Reta da Penha
Na visão de Bolsonaro, o general Luna e Silva deve substiruir Roberto Castello Branco no comando da petroleira. Vitor Jubini
Sede da Petrobrás na Reta da Penha
A Petrobras atua na exploração de petróleo em terra e mar capixaba. Vitor Jubini
Sede da Petrobrás na Reta da Penha
A empresa construiu uma sede suntuosa na Reta da Penha em Vitória. Vitor Jubini
Sede da Petrobrás na Reta da Penha
A obra foi alvo de muita polêmica. Vitor Jubini
Sede da Petrobrás na Reta da Penha
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal. Vitor Jubini
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal
Diversas denúncias de irregularidades foram movidas pelo Ministério Público Federal

No resultado anual, a queda no lucro é explicada pela companhia com a queda de 35% do preço do Brent em dólares, pela revisão no valor de ativos, menores ganhos com desinvestimentos e desvalorização de 31% do real em relação ao dólar americano.

No ano, a receita da Petrobras caiu 10%, em comparação com 2019, para R$ 272 bilhões. O Ebitda, indicador que mede a capacidade de geração de caixa de uma companhia, subiu 10,6%%, para R$ 143 bilhões.

Apesar da pandemia, a empresa conseguiu manter clientes para o petróleo do pré-sal e, principalmente, de combustível de navegação mesmo nos momentos mais duros da pandemia, fechando o ano com a produção média recorde de 2,84 milhões de barris de óleo e gás por dia.

Na terça (23), em sua primeira reunião após anúncio de que o governo quer trocar o comando da companhia, o conselho de administração da Petrobras aprovou a convocação de assembleia de acionistas para votar a substituição na presidência da companhia.

A aprovação, porém, não foi unânime. Dos 11 membros do colegiado, 3 votaram contra a convocação. Do restante, apenas 6 votaram a favor. Castello Branco não votou, e o conselheiro Nívio Ziviani não participou da reunião por razões de saúde.

Em nota distribuída após a assembleia, o conselho deu um recado contra tentativas de interferência do governo: afirmou que continuará a zelar com rigor pelos padrões de governança da Petrobras, "inclusive no que diz respeito às políticas de preços de produtos da companhia".

A forma atabalhoada com que Bolsonaro anunciou a mudança e as críticas à gestão da empresa e sua política de preços derrubaram o valor de mercado da companhia em R$ 102,5 bilhões em apenas dois dias.

Os efeitos se espalharam por outros indicadores da economia, em um sinal de que a intervenção foi um duro golpe na confiança do investidor estrangeiro e provocou novas dúvidas sobre o tamanho do poder que o ministro da Economia, Paulo Guedes ainda exerce sobre a política econômica do Brasil.

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