Publicado em 14 de março de 2025 às 09:35
SÃO PAULO E BRASÍLIA - O novo consignado privado, lançado nesta quarta-feira (12), irá reduzir a taxa de juros da modalidade e a inadimplência nos empréstimos pessoais, afirma à reportagem Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Ele diz que os bancos têm todo o interesse em oferecer o crédito em linhas mais acessíveis.>
Atualmente, os juros do consignado privado estão em 2,92% ao mês, ou 41,23% ao ano, na média calculada pelo Banco Central. Em comparação, a média do consignado para funcionários públicos é de 1,82% ao mês, ou 24,16% ao ano. A liberação do novo modelo começa no dia 21 de março e os pedidos serão feitos por meio da Carteira de Trabalho Digital.>
Segundo Sidney, a taxa do consignado privado tende a cair na nova modalidade por conta da redução do custo operacional das instituições, que não terão mais que firmar convênios com diversas empresas distintas. Além disso, o risco do empréstimo será menor, já que o ofertante analisará o perfil da empresa e do trabalhador, e o trabalhador pode carregá-lo ao mudar de emprego ou usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia, em caso de demissão.>
"Há uma aposta que estamos fazendo, com bastante racionalidade econômica, de que, na medida em que haja uma centralização e uma padronização da gestão da consignação, caminhemos para patamares de juros menores. O quão menores vai depender da maturação e da consolidação da nova linha e da política de crédito de cada banco", afirma Sidney.>
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No lançamento do novo consignado, batizado de "Crédito do Trabalhador", o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que "se observado que o sistema financeiro esteja abusando, o governo poderá estabelecer teto de juros no futuro".>
O presidente da Febraban diz que isso não será necessário. "Linhas de crédito caras só ampliam o risco e o custo de crédito, tudo que não precisamos para um ambiente e um mercado de crédito sadio. Juros altos não são um bom negócio para ninguém, nem para os clientes nem para os bancos, muito menos para a economia. Portanto, nós não temos nenhum interesse em fazer de um novo produto um caminho para a prática de juros abusivos.">
Segundo os bancos, a ausência de um teto na modalidade é uma das principais condições para o sucesso do produto, que já existe desde 2003, mas não deslanchou como seu par público -são R$ 40 bilhões contratados por trabalhadores do setor privado, contra R$ 365,44 bilhões de servidores públicos.>
A imposição de um teto ao consignado vinculado ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) levou os bancos privados a deixarem de ofertar o produto, pois, segundo as instituições, ele deixa de ser rentável diante de uma taxa básica de juros em alta.>
"As taxas praticadas hoje refletem riscos distintos. Tanto que isso está refletido na taxa de inadimplência", diz Sidney.>
O percentual de atraso superior a 90 dias no pagamento do consignado privado é de 8% dos empréstimos, superior aos 6% do crédito pessoal, que tem juros superiores, de 6% ao mês (103% ao ano), na média.>
De acordo com especialistas, a alta rotatividade do mercado de trabalho brasileiro, que está aquecido, é uma das explicações para a alta inadimplência. A outra é a alta nos juros.>
Agora, com a possibilidade de o trabalhador levar o empréstimo consigo na mudança de emprego e a garantia do FGTS, a expectativa é que os atrasos caiam.>
O uso do FGTS, porém, depende da operacionalização de Caixa Econômica Federal, que o governo estima ficar pronta em julho. Com ela, o trabalhador poderá usar 10% do saldo do fundo e a multa em caso de demissão sem justa causa (40% do saldo FGTS) para pagar as parcelas do empréstimo.>
Segundo Sidney, nas reuniões para o desenho do novo consignado, os bancos não pleitearam um aumento adicional das garantias. Porém, uma vez operacionalizadas pela Caixa, elas devem aumentar o apetite dos bancos pelo produto, levando-o a superar a marca de R$ 120 bilhões inicialmente projetada.>
"R$ 120 bilhões é a estimativa conservadora, que considera apenas a migração dos R$ 85 bilhões de crédito pessoal de trabalhadores formais, que não conseguiam até então acessar o consignado por falta de convênios, para o novo consignado", afirma o presidente da Febraban.>
Segundo ele, cerca de 90% dos trabalhadores formais não têm acesso ao atual consignado privado. Com o novo modelo, todos que tenham carteira assinada, independentemente do contratante, terão acesso à linha.>
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