Publicado em 18 de fevereiro de 2021 às 14:39
- Atualizado há 5 anos
Enquanto o Orçamento de 2021 ainda não é discutido e governo e Congresso estudam flexibilização de regras fiscais para liberar mais gastos, ministérios já tomam a iniciativa de pedir à equipe econômica verbas extras a serem executadas fora do teto de gastos. >
As demandas são feitas quase um ano após a Covid-19 chegar ao Brasil, período em que governo e Congresso deixaram de avançar sobre a revisão de despesas em outras áreas -o que possibilitaria remanejamento de recursos e evitaria maior endividamento.>
Os pedidos já somam R$ 5,65 bilhões e foram feitos pelos Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Regional (MDR). As pastas mencionam nas justificativas a continuidade da pandemia, mas há pedidos para outras destinações.>
O ministério comandado por Rogério Marinho (MDR) pede R$ 450 milhões.>
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Parte dos pedidos busca enfrentar situações de emergência e calamidade por causa de chuvas intensas que desalojaram pessoas, e dentre as justificativas é reforçada a urgência dos recursos por causa da pandemia de Covid-19.>
De acordo com o ministério, as ações seriam tomadas em duas frentes: socorro e assistência a vítimas e reconstrução de infraestrutura danificada, como pontes e bueiros. Uma terceira fatia dos recursos iria para operações de carros-pipa no Nordeste.>
O ministério afirma que não dispõe de dotação suficiente para enfrentar os desastres, o que deixa a população afetada à mercê da violação de direitos humanos.>
"Cerca de cem municípios de 16 estados estão com reconhecimento federal de situação de emergência ou calamidade pública. Os prejuízos estimados com os desastres alcançam R$ 1,7 bilhão", afirma o MDR, em nota.>
Marinho e Guedes já chegaram a entrar em conflito no ano passado, depois que o primeiro passou a influenciar o Palácio do Planalto por maior liberação de recursos públicos para obras e para impulsionar a atividade econômica.>
Após Marinho ter se encontrado com investidores fazendo comentários sobre o colega, Guedes retrucou publicamente. "Eu não acredito que ele tenha falado mal de mim. Se ele está falando mal, tem três coisas. É despreparado, é desleal e é um fura-teto", disse.>
Já o Ministério da Saúde pede recursos para mais seis meses de pandemia.>
A pasta diz que há persistência da doença, com aumento de casos e mortes, com consequente pressão adicional sobre o SUS (Sistema Único de Saúde), demandando recursos orçamentários adicionais urgentes até que a vacinação da população produza efeitos.>
O ministério de Eduardo Pazuello defende que são necessários R$ 5,2 bilhões em recursos para leitos de UTI, pagamento de médicos já contratados e custeio de profissionais residentes, testes para diagnóstico, manutenção de equipes de saúde indígena e outras despesas.>
"Para fazer frente aos gastos necessários, não é possível utilizar os recursos previstos no Projeto de Lei de Orçamento Anual, os quais já encontram-se comprometidos até o final do exercício", afirma o Ministério da Saúde.>
Há diferentes entraves para acionar créditos extraordinários. O primeiro é que eles só podem ser acionados em casos imprevisíveis e urgentes, como guerra, comoção interna ou calamidade pública.>
Não há consenso entre especialistas sobre a possibilidade de o instrumento ser acionado agora para o combate ao coronavírus, visto que a Covid-19 chegou ao Brasil em fevereiro. Portanto, a pandemia já é conhecida há meses.>
Ainda que sejam interpretados como imprevisíveis, o governo ainda fica limitado para liberar essas despesas por causa de regras fiscais.>
Enquanto a emenda do teto de gastos -que impede crescimento real das despesas- autoriza o crédito extraordinário a ficar fora do cálculo, outra norma constitucional -a regra de ouro- dificulta a liberação ao impedir o endividamento público para bancar gastos correntes.>
Em 2020, quase todas as medidas para combater o coronavírus e seus efeitos foram tomadas por meio de crédito extraordinário. Para que eles pudessem ser liberados, foi elaborada a PEC (proposta de emenda à Constituição) do Orçamento de Guerra -que flexibilizou as regras fiscais.>
Agora, governo e Congresso avaliam retomar um instrumento parecido principalmente para liberar o auxílio emergencial. A volta do programa em 2021 não cabe no Orçamento exceto com um corte amplo de despesas, o que não foi feito até agora.>
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