Publicado em 27 de outubro de 2021 às 15:12
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) recebeu, nesta terça-feira (27), 15 propostas de empresas interessadas em arrematar frequências no leilão do 5G, marcado para o início de novembro. >
Frequências são avenidas no ar por onde as operadoras fazem trafegar seus dados. >
A lista divulgada pela agência mostra que haverá dois tipos de disputa no certame. De um lado, estarão as grandes operadoras --Claro, Vivo e Tim-- que farão lances pelas frequências 5G "puras", aquelas que permitirão velocidades elevadas --particularmente 3,5 GHz (Gigahertz). >
De outro, estarão fundos de investimento, como o Pátria (Winity II Telecom), empresas e provedores regionais de internet, interessados especialmente nas frequências de 700 MHz, que permitem cobrir grandes áreas mas com velocidades mais baixas de conexão. >
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De acordo com as propostas apresentadas, haverá disputa, por exemplo, entre a Highline (NK108 Empreendimentos e Participações) e a Brisanet em cidades menores, principalmente no Nordeste. >
A participação da Highline só foi possível graças a uma mudança nas regras do edital, permitindo que a empresa possa começar a operar 5G em cidades menores. A agência abriu uma exceção para os blocos de cobertura regional. >
Nos blocos de cobertura nacional, continua valendo a regra de instalação das redes 5G a partir de cidades mais populosas. >
Outra surpresa foi a participação do empresário Nelson Tanure. Ele está presente no capital da Sercomtel e do Consórcio 5G Sul, grupo de que faz parte a Copel, empresa de energia e telecomunicações. Ambas atuam no Paraná. >
Tanure foi um dos acionistas da Oi que tentou adquirir o controle da operadora em meio ao processo de recuperação judicial. A estrategia não funcionou. >
A empresa, que vendeu seu braço de telefonia celular para a Claro, Vivo e Tim, aguarda aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da Anatel para concluir o negócio. >
No processo de reestruturação da Oi, ela se transformou em uma companhia de infraestrutura de telecomunicações, fornecendo insumos (redes, cabos, dentre outros) para as demais operadoras. >
Por esse motivo, havia expectativa de que a Oi fizesse lances para adquirir frequências de longo alcance (como 26 GHz). No entanto, a empresa não se apresentou. >
O grupo de pequenos provedores associados na Iniciativa 5G (Mega Net Provedor de Internet e Comércio de Informática) também entregou propostas. Eles afirmam ter investidores capazes de investir mais de R$ 19 bilhões em redes de quinta geração. Ainda não se sabe quem são esses investidores. >
A Datora Telecomunicações, especializada em internet das coisas e comunicação entre máquinas (M2M), se habilitou para o leilão por meio da empresa VDF Tecnologia da Informação. >
Os demais interessados que entregaram propostas foram Algar Telecom, Brasil Digital Telecomunicações, Cloud2U, On Telecom (Neko Serviços) e Fly Link. >
Pelas regras do edital, as empresas tinham de entregar suas propostas nesta terça-feira e apresentar as garantias para os lances que farão no leilão, dia 4 de novembro. >
Caberá à agência nos próximos dias avaliar as empresas, as garantias e as propostas apresentadas. Caso haja alguma pendência ou descumprimento de regras do edital, a empresa pode ser desqualificada. >
No leilão, serão vendidas licenças nas faixas de 700 MHz (megahertz); 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. As licenças custam R$ 45,7 bilhões e os compromissos atrelados a elas exigirão investimentos de cerca de R$ 37 bilhões --valor que será abatido das licenças. Na prática, a União deverá receber cerca de R$ 8,7 bilhões pelas outorgas. Ou seja: não será um leilão arrecadatório, como foi nos EUA. >
Ao todo, foram dois adiamentos, o que levou à postergação da data do leilão por duas vezes, desgastando o ministro no Congresso --que chegou a montar um grupo especial de monitoramento da implantação do 5G no país. >
Naquele momento, o presidente Jair Bolsonaro pretendia impor restrições à participação da chinesa Huawei da construção de redes 5G no país. >
Bolsonaro estava alinhado com o então presidente Donald Trump, dos EUA, país que, agora na gestão de Joe Biden, ainda trava uma disputa geopolítica com a China. >
A ideia de Bolsonaro, influenciado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, era impedir que os chineses vendessem equipamentos no país. >
Segundo as teles, isso levaria à troca de todos os equipamentos de tecnologias anteriores (3G e 4G), o que custaria quase R$ 100 bilhões e atrasaria a implantação do 5G em pelo menos três anos. >
Essa situação levou à criação da frente parlamentar e a saída apresentada pelo ministro Fábio Faria foi a construção de uma rede privativa destinada à administração pública federal. >
A primeira proposta de edital da Anatel foi aprovada pelo conselho em fevereiro deste ano e encaminhada para o TCU. A área técnica do tribunal sofreu forte pressão do governo para que deliberasse em um prazo menor do que o previsto. Ao final, foi aprovada em agosto pelo plenário, com diversas alterações relevantes. >
Duas delas levaram o conselheiro da Anatel, Moisés Moreira, a pedir vista por uma semana. Para ele, era preciso que o governo entregasse o projeto completo da rede privativa para a administração federal e o programa de conexão da Amazônia (Pais). Ambos foram mantidos como compromissos obrigatórios de investimento no edital.>
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