Publicado em 14 de maio de 2021 às 16:02
Grandes empresários brasileiros afirmam que não pretendem comprar vacinas para a Covid-19 para que seus funcionários sejam imunizados no momento atual, passando à frente dos grupos prioritários no âmbito do sistema público. >
A posição difere de iniciativas de nomes como Luciano Hang e Carlos Wizard, que defendem a possibilidade de compra de vacinas pelo setor privado para imunizar trabalhadores, doando uma parte para o SUS (Sistema Único de Saúde). >
"Sou contra. Quem tem que comprar vacina é o Estado. Não pode haver competição", diz Pedro Wongtschowski, acionista e presidente do conselho de administração da Ultrapar. >
Wongtschowski afirma que a empresa, que engloba companhias como Posto Ipiranga, Ultragaz e Extrafarma, não pretende comprar vacinas. "As pessoas têm que se vacinar sem preferências ou outras prioridades [no setor privado]", diz ele. >
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Horácio Lafer Piva, acionista da Klabin, tem opinião semelhante. "Sendo uma pandemia, um evento público, eu advogo que ajudemos com insumos e logística, mas não nos envolvamos em compra e aplicação, exceto esta última usando a rede pública e privada para o ato final", afirma. >
Para ele, não faz sentido a proposta de permitir a compra de vacinas contra a Covid-19 pela iniciativa privada para imunização de funcionários, já que apenas as grandes empresas conseguiriam arcar com essa ação. "E o restaurante fechando, o lojista de shopping, a pequena indústria pendurada para não morrer?", questiona Piva. >
Outro empresário, ligado ao setor financeiro, que pediu para que seu nome fosse mantido em sigilo, classifica essa possibilidade como uma barbaridade e diz que não vê razão para que empresários se envolvam nisso. Ele afirma que a medida pode desfalcar o governo, devido à escassez de imunizantes no mundo. >
Segundo um executivo de um banco, as grandes instituições financeiras não devem comprar vacinas neste primeiro momento. O setor até havia mostrado interesse no começo do ano, mas o assunto perdeu força sobretudo após os fabricantes afirmarem que não venderiam para empresas, apenas para governos. >
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Guilherme Leal, cofundador da Natura e copresidente do conselho de administração da empresa, disse que a compra pelo setor privado é indecente. "Acho um absurdo furar fila porque a empresa é mais ou menos poderosa em relação a outras tantas empresas que não fazem isso. Não faz sentido nenhum." >
Outro empresário, do ramo industrial, que também pediu para não ter seu nome revelado, afirma que não faz sentido entrar em uma briga por vacinas com o SUS. >
Na outra ponta, os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard defendem poder comprar vacina para imunizar seus funcionários antes do fim do calendário dos grupos prioritários definido no âmbito do SUS. >
Eles já tiveram encontros com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, (DEM-MG), e com diversos ministros. >
Os dois empresários têm feito lobby pela flexibilização das regras de compra de vacinas por empresas. Pela lei vigente, aprovada em março, até que todos os grupos prioritários sejam vacinados, 100% das doses compradas por particulares devem ser doadas ao SUS. Após a vacina dos grupos prioritários, a obrigação de doação cai para 50%. >
Entre os industriais, o assunto também não chegou a um consenso. O presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), Synésio Batista da Costa, diz que não há de quem comprar. >
"Esse tema nasceu na Coalizão da Indústria e depois de revezes e mentiras, deixamos o pool. Aí fizeram a lei permitindo doação de 100%, que não estimulou ninguém", afirma ele. >
A Coalizão surgiu como alternativa para industriais terem uma interlocução direta com o governo, sem depender de entidades como a Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo). Atualmente, conta com 15 entidades do setor. >
O presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria de Plástico), José Ricardo Roriz Coelho, diz que é preciso agilizar o processo. "Estamos sem vacina porque faltou planejamento do governo federal, mas toda ajuda é bem-vinda. Seja do setor público ou privado.">
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