Publicado em 5 de janeiro de 2021 às 15:19
- Atualizado há 5 anos
O imbróglio societário envolvendo a Viação Itapemirim, gigante do transporte rodoviário interestadual de passageiros em recuperação judicial desde 2016, tem sido atravessado por acusações entre a família Cola, fundadora do conglomerado, e o novo proprietário do grupo, o empresário Sidnei Piva de Jesus. >
Além de tentarem anular a formalização da venda, desde outubro do ano passado, Camilo Cola e Camilo Cola Filho vêm entrando com uma série de representações por falsidade ideológica contra o comprador. Eles sugerem a existência de pelo menos quatro CPFs distintos ligados a Piva - um deles sob o nome Sidiney Duarte Piva. >
Os documentos reunidos apontam que os titulares dos cadastros teriam sociedade com uma mesma pessoa, seriam defendidos pelos mesmos advogados em processos diferentes e teriam aberto empresas cadastradas em um mesmo endereço. A defesa chegou a pleitear que Polícia Federal, Receita Federal e Consulado dos Estados Unidos apresentassem informações sobre os titulares dos CPFs.>
Em outubro, Piva prestou depoimento na 2ª Delegacia de Polícia de Barueri (Grande São Paulo) e negou as acusações. O novo presidente do Grupo Itapemirim atribuiu a existência de dois outros números de CPF ligados a seu nome a um "erro material" dos Correios, responsável pela emissão dos documentos. Ainda no relato, o empresário afirmou que a Receita Federal abriu procedimento administrativo e anulou os cadastros.>
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A defesa reagiu às acusações e entrou com dois pedidos judiciais: um para arquivar o inquérito que o investiga por falsidade ideológica e outro por denunciação caluniosa contra os Cola. O advogado de Piva, José Carlos Ricardo, classificou as imputações como "ilações e suposições paridas", as representações como "totalmente improcedente" e atribuiu o movimento como uma tentativa de "vingança" e "perseguição".>
"Camilo Cola e Camilo Cola Filho mais uma vez se utilizaram da máquina administrativa e judicial, para caluniar, difamar e se vingar de Sidnei Piva de Jesus, com finalidade de ameaçá-lo no sentido extorquir as cotas sociais do Grupo Itapemirim adquirida licitamente", diz a defesa nos autos. >
Procurado pela reportagem, o advogado afirmou que o inquérito por falsidade ideológica corre em segredo de justiça, mas que a autoridade policial já apresentou o relatório final se manifestando pelo arquivamento do procedimento. A decisão sobre eventual denúncia por falsidade ideológica cabe ao Ministério Público de São Paulo.>
Uma das mais tradicionais empresas de ônibus do país, com 292 linhas interestaduais, a Itapemirim estava à beira da falência quando foi adquirida por Piva. No curso do processo de recuperação judicial da viação, ele chegou a ser afastado sob suspeita de desviar recursos dos credores para cobrir despesas de outras empresas. >
Já o juiz Paulino José Lourenço, titular da 13ª Vara Cível Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, no Espírito Santo, foi punido com aposentadoria compulsória, pena máxima administrativa da magistratura, por suspeita de falta de isenção na condução do processo.>
Piva tem planos ambiciosos para o grupo: já demonstrou interesse em concessões de aeroportos e promete o lançamento de uma companhia aérea em 2021, a despeito da crise que afetou o setor durante a pandemia. O empresário acusa a família Cola de tentar falir a Itapemirim e transferir o ônus do fracasso ao comprador. >
Em seu depoimento, afirmou que uma auditoria interna encontrou documentos indicando remessas de dinheiro ao exterior e acusou indícios de desvio de verbas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. À reportagem, a defesa disse que o patriarca do clã vem sendo "manipulado por herdeiros inconsequentes".>
O advogado José Carlos Ricardo, que defende Sidnei Piva, afirmou que "o inquérito policial corre em segredo de justiça, reiterando, a autoridade policial já apresentou à justiça o relatório final, com o cumprimento da cota ministerial. Tem-se que, o arquivamento do procedimento administrativo é medida que será imposta, inclusive, em consonância com o Ministério Público, pois entende e acredita esta humilde Defensoria que ninguém pode vir a ser processado por fato atípico, e, esse é o caso dos autos. Por isso, da denúncia pela falsa comunicação crime/denunciação caluniosa em face das falaciosas vítimas Camilo Cola e Camilo Cola Filho".>
A defesa do empresário disse lamentar que Camilo Cola, chamado na nota de um "ícone da mobilidade terrestre e aérea a quem reverenciamos", venha a ser "manipulado por herdeiros inconsequentes que não medem a consequência de seus atos, principalmente, na utilização indevida da máquina judiciária na busca de um fato impossível, consubstanciado em um sonho irreal", diz o advogado.>
Já o advogado Leandro Falavigna, que defende a família Cola, afirmou que "a família investigou os fatos e levou o resultado dessas investigações e os indícios de crimes às autoridades competentes. Diante disso, foi instaurado um inquérito policial que tem como intuito investigar o assunto".>
Leandro sustentou que "nunca houve evasão de divisas por parte da família" e que "tais fatos já estão sendo esclarecidos junto às autoridades competentes". Ele afirmou ainda que não há uma única prova nesse sentido.>
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