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Marcou infância

Fabricante de brinquedos Estrela entra em recuperação judicial em meio a mudança digital

Empresa fundada em 1937 é responsável por Banco Imobiliário, Genius e Autorama

Publicado em 20 de Maio de 2026 às 10:32

Agência FolhaPress

Publicado em 

20 mai 2026 às 10:32
Estrela criou o jogo de sucesso "Banco Imobiliário" Divulgação
A tradicional fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial, nesta quarta-feira (20), alegando necessidade de reestruturação do passivo do grupo, em meio à combinação de juros elevados, crédito mais restrito e mudanças no consumo infantil, cada vez mais pressionado por plataformas digitais e jogos online.
Em fato relevante divulgado ao mercado, a empresa afirmou que manterá as operações industriais, comerciais e administrativas durante o processo.
Fundada em 1937, a Estrela atravessou décadas como uma das marcas mais conhecidas da indústria nacional de brinquedos e ajudou a moldar o imaginário infantil de diferentes gerações de brasileiros.
A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira e se transformou, ao longo do século 20, em um dos maiores símbolos do setor no país. Foi também uma das primeiras companhias brasileiras a abrir capital, em 1944.
Ao longo de sua trajetória, a Estrela lançou produtos que se tornaram praticamente sinônimos de categorias inteiras no mercado brasileiro, como o Banco Imobiliário, criado nos anos 1940, o Autorama, nos anos 1960, e o Genius, apresentado nos anos 1980 como o primeiro brinquedo eletrônico do país.
A companhia também marcou época com brinquedos como Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete, Ferrorama, Super Massa e bonecas como Gui Gui, Mãezinha e Moranguinho. Em diferentes momentos, a fabricante apostou em licenças de personagens de TV, cultura pop e até influenciadores digitais para tentar acompanhar mudanças de comportamento das crianças.
Nos anos 2000 e 2010, a buscou modernizar clássicos, incorporando tecnologia a jogos tradicionais e ampliando a atuação em brinquedos colecionáveis e licenciados. Ainda assim, a companhia enfrentou dificuldades para competir com produtos importados baratos e, mais recentemente, com o avanço dos jogos digitais, redes sociais e plataformas de entretenimento online.
Hoje, a Estrela mantém escritório central em São Paulo e fábricas no interior paulista, em Minas Gerais e Sergipe.

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