Publicado em 28 de agosto de 2023 às 18:14
Um mês após o lançamento do programa Desenrola Brasil, a inadimplência na carteira de crédito livre às pessoas físicas caiu 0,1 ponto percentual em julho, a 6,2%, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (28).>
Segundo o chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, embora o recuo tenha sido marginal, o movimento observado em mais de uma modalidade de crédito livre pode refletir algum impacto do programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo Lula (PT) em junho.>
"A gente viu diversas taxas a pessoas físicas com redução de inadimplência e eventualmente pode ser impacto do Desenrola, de fato", disse.>
Segundo o técnico do BC, é difícil mensurar o efeito do programa porque as negociações dos devedores com as instituições financeiras envolvem um grande volume de operações com baixos valores.>
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"Se a gente pega uma grande empresa, que teve um evento de crédito com operações de bilhões de reais, a gente consegue ver o impacto de uma única operação [nas estatísticas]. O Desenrola é exatamente o oposto disso: uma quantidade muito grande de operações de valor individual pequeno. Então, pode ter operações de Desenrola na redução de inadimplência de modalidades específicas do crédito para pessoa física", acrescentou.>
Entre 17 de julho e 18 de agosto, os bancos brasileiros repactuaram 1,5 milhão de contratos, segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). No período, foram R$ 9,5 bilhões negociados pela faixa 2 do Desenrola — cidadãos com renda mensal entre R$ 2.640 (dois salários mínimos) e R$ 20 mil.>
De acordo com a entidade, cerca de 6 milhões de clientes que tinham dívidas bancárias de até R$ 100 tiveram o "nome limpo" por instituições financeiras.>
Conforme os dados do BC, a inadimplência no crédito livre alcançou 5% em julho, contra 4,9% um mês antes, puxada pelo segmento de pessoas jurídicas. Na carteira de crédito para empresas, a inadimplência atingiu 3,3%, com aumento mensal de 0,2 ponto percentual — concentrado no desconto de duplicatas e recebíveis (elevação de 0,9 ponto no mês).>
A modalidade está ligada ao risco sacado, operação tradicional no varejo brasileiro por meio da qual se desconta ou se securitiza o fluxo futuro de vencimentos da empresa — e que esteve no centro da crise da Americanas.>
A inadimplência no desconto de duplicatas e recebíveis, que era de 0,4% um ano atrás, atingiu 3,7% em julho. Em 12 meses, houve aumento de 3,3 pontos percentuais -sendo que a alta se tornou expressiva a partir de abril, três meses após a eclosão do caso da varejista.>
Na metodologia do BC, só atraso de pagamento superior a 90 dias é considerado inadimplência.>
"Você tem um evento de crédito em janeiro, a empresa não consegue mais pagar uma parte das operações de crédito, exatamente em abril começa a ter um impacto na taxa de inadimplência dessas operações", disse Rocha. "Como a inadimplência para demais modalidades tem estado estável, pode-se dizer que esse efeito tem sido circunscrito a essa modalidade [desconto de duplicatas e recebíveis].">
A Americanas entrou em recuperação judicial no dia 19 de janeiro com dívidas da ordem de R$ 43 bilhões, mais de 16 mil credores e apenas R$ 800 milhões declarados em caixa. Isso ocorreu cerca de uma semana após a divulgação do escândalo contábil de R$ 20 bilhões.>
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