Publicado em 12 de maio de 2022 às 17:48
O presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou novamente os lucros da Petrobras nesta quinta (12), mas reforçou que, caso haja uma interferência por parte do governo federal, ela ocorrerá por "vias legais". O chefe do Executivo criticou também os preços dos combustíveis e disse que "está caro mesmo". >
"Estamos buscando maneiras legais para fazer com que a Petrobras cumpra o seu papel social definido na Constituição e também em leis. Não podemos estar subordinados a decisões do conselho, que está abaixo obviamente de leis e da própria Constituição. Não haverá interferência na Petrobras a não ser pelas vias legais", afirmou.>
As recorrentes críticas de Bolsonaro à estatal causaram mal-estar dentro do governo e podem estar ligadas à troca de ministros à frente do MME (Ministério de Minas e Energia) ontem. Bento Albuquerque, um dos últimos remanescentes da equipe original do presidente, deixou o cargo e foi substituído pelo economista Adolfo Sachsida.>
Ao dizer que o diesel e o gás estão caros, o chefe do Executivo afirmou que "em grande parte [a culpa] deve-se a própria Petrobras, que tem lucros absurdos". Semana passada, a estatal divulgou um lucro líquido de R$ 44,56 bilhões no primeiro trimestre de 2022, o que o presidente considerou ser "absurdo" e "um estupro".>
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COMO FUNCIONA A PETROBRAS?>
A Petrobras é uma companhia de capital misto, ou seja, é uma sociedade anônima, com ações listadas na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, que tem como acionistas a União e diversos agentes privados, como fundos e acionistas pessoas físicas.>
A União, representante do governo federal, porém, é de longe a maior acionista individual da empresa, com mais de 50% das ações com direito a voto e cerca de 29% do total, segundo dados da B3. Por isso, tem direito de eleger mais profissionais para formar o Conselho de Administração da empresa. O conselho, por sua vez, indica o CEO e diretores para, de fato, administrarem a companhia.>
INFLAÇÃO>
Apesar da inflação ter batido recordes em abril com o índice mensal mais alto para o mês em 26 anos e passando de 12% no acumulado de 12 meses, Bolsonaro disse que o Brasil é um dos países que "menos sofre com a questão da inflação".>
Novamente, o chefe do Executivo culpou medidas sanitárias da covid-19, como lockdowns adotados em alguns estados, pela alta nos preços. "A consequência é a inflação generalizada do mundo todo e o Brasil é um país com inflação, tem aumento nos combustíveis, sei disso e assumo minha responsabilidade, mas isso se faz presente no mundo todo", falou.>
Segundo economistas ouvidos pelo site de checagem UOL Confere, o isolamento não é a causa da alta nos preços, e ajudaria a acelerar a recuperação da economia se tivesse sido bem feito.>
A pandemia afetou a economia em todo o planeta, mas o Brasil tem um dos piores quadros de inflação entre as 20 maiores economias do mundo. Há estudos que indicam que locais que aderiram a medidas mais rígidas de isolamento não sofreram consequências econômicas maiores do que os que não aderiram. Em alguns casos, se saíram até melhor.>
Os preços subiram mais por aqui em especial por causa da desvalorização do real e da queda de investimento estrangeiro. Estes fatores têm relação com o ambiente político do país -o que inclui incertezas geradas pelo governo. Também entram na conta problemas como a alta nos combustíveis; a crise hídrica e o aumento na conta de luz; e questões climáticas que afetaram a agricultura.>
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