Publicado em 31 de dezembro de 2024 às 10:30
SÃO PAULO - O governo Lula e a Vale firmaram um acordo consensual nesta segunda-feira (30) que revisa os valores dos contratos de concessão da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e da Vitória a Minas (EFVM) e deve injetar R$ 17 bilhões na infraestrutura logística do país. Parte desses recursos deve ser destinada ao Espírito Santo, para a construção de um novo ramal ferroviário ligando a Região Metropolitana da Grande Vitória a Anchieta, no Litoral Sul, como destacou o governador Renato Casagrande (PSB), nesta terça (31), ao comentar o acordo.>
"Esse acordo vai permitir um investimento adicional de R$ 6 bilhões para fazer o trecho ferroviário que liga Cariacica até Anchieta. É um primeiro passo importantíssimo para a gente poder fazer a conexão ferroviária da Grande Vitória com o Sul do Espírito Santo e, depois, com o Rio de Janeiro. Então, é uma vitória importante que a gente conquista para melhorar a logística e a competitividade do Estado", disse Casagrande.>
Como informou Abdo Filho, a construção do ramal da Vitória-Minas até Anchieta, entre Santa Leopoldina e Ubu, está entre os compromissos assumidos pela Vale na renovação antecipada da concessão com o governo federal. Ainda conforme o colunista, em julho de 2023, em cerimônia realizada no Palácio Anchieta, os executivos da empresa anunciaram o cronograma do projeto: 84 meses, a partir daquela data, para entregar os pouco mais de 80 quilômetros dessa ferrovia, que ficaria pronta em meados de 2030. >
"A Vale está desenvolvendo o projeto do Ramal Anchieta, uma extensão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), entre os municípios de Santa Leopoldina e Anchieta, no ES. O projeto está sob análise do Ministério dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A Vale doou ao Estado o projeto básico da ferrovia EF-118 (continuidade da ferrovia até o Rio de Janeiro), no trecho entre Anchieta e Presidente Kennedy, em julho deste ano", disse a Vale, em nota enviada ao colunista no começo deste mês.
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Definido como histórico pelo Ministério dos Transportes, o entendimento sobre a chamada repactuação entre Vale e governo federal, divulgado na segunda (30), ainda dependem da homologação do TCU (Tribunal de Contas da União).>
Os contratos para prorrogação das concessões foram celebrados em dezembro de 2020, no governo Jair Bolsonaro, mas seus termos eram questionados pelo atual mandato.>
A revisão da concessão é referente a uma cobrança total de R$ 27,5 bilhões que o Ministério dos Transportes fez à mineradora em relação a outorgas não pagas na renovação da concessão de 2027 para 2057.>
"Firmamos hoje entendimento histórico com a Vale S.A., que vai injetar mais de R$ 17 bilhões na infraestrutura do Brasil. Essa repactuação demonstra a solidez da parceria da atual gestão federal e o setor privado, que é crucial na ampliação dos investimentos na nossa logística", disse o ministro dos Transportes, Renan Filho.>
Segundo a pasta, do montante total, R$ 11 bilhões devem ser repassados de imediato à União a título de ajustes regulatórios, alteração do projeto FICO (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e do valor de otimização, além dos acréscimos à outorga.>
O processo ainda estipula a injeção de R$ 6 bilhões no trecho do Espírito Santo, entre as cidades de Cariacica e Anchieta da EF-118, conhecida como anel ferroviário do Sudeste.>
"A repactuação dos Contratos de Concessão, uma vez finalizada, trará definitividade ao tema de obrigações e investimentos da Vale em suas duas concessões ferroviárias", disse a mineradora em comunicado aos investidores.>
O acordo era esperado tanto pelo Ministério da Fazenda quanto pelo dos Transportes, pelo reforço no caixa da União e investimento no setor.>
Outros dois acordos de revisão de concessão semelhantes de ferrovias já foram fechados, nos valores de R$ 1,5 bilhão, referente ao contrato da Malha Paulista da Rumo, braço de logística do grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto; e de R$ 2,6 bilhões, do contrato da Malha Sudeste com a MRS.>
A revisão contratual do governo com as empresas tem ocorrido no âmbito da Secex Consenso (Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos), área criada pelo TCU para mediar discussões entre setores público e privado. A meta é evitar a judicialização de divergências.>
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