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Saúde

Doenças mentais causam considerável perda na saúde e na funcionalidade

Se procurar cuidados para sua saúde física é um movimento nem sempre feito pelas pessoas, quando se trata da saúde mental o panorama é pior

Publicado em 26 de Janeiro de 2020 às 13:00

Públicado em 

26 jan 2020 às 13:00

Colunista

Ansiedade Crédito: Divulgação
A divulgação de um relatório global pela Organização Mundial da Saúde causou grande surpresa ao revelar que 9,3% das pessoas que vivem no Brasil sofrem de ansiedade. E mais: 5,8% da população brasileira é deprimida. Apesar dos valores para depressão serem próximos da média global (4,4%), os encontrados para ansiedade ficaram muito acima do que é encontrado no resto do mundo (3,6%). Isso coloca o Brasil em primeiro lugar nesta lista.
A informação parece ter chocado o estereótipo comum, no imaginário popular, atribuído ao brasileiro, mas revela sinais de uma população adoecida, não só física, mas mentalmente, carente de cuidados para sua saúde como um todo.
De fato, um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde alerta que os países devem aumentar o nível de financiamento atual para atender de forma satisfatória as necessidades das pessoas com transtornos mentais.
Como esperado, as doenças mentais causam uma considerável perda na saúde e na funcionalidade dos indivíduos, sendo já a causa mais comum de incapacidade entre aquelas não violentas. Isso por si só deveria provocar maior atenção por parte dos governos e dos indivíduos.
Mas o que encontramos é diferente. Se procurar cuidados para sua saúde física é um movimento nem sempre feito pelas pessoas, quando se trata da saúde mental o panorama é pior. Medo e preconceito dificultam o acesso aos profissionais da área. Ainda é comum encontrarmos pessoas que se espantam quando sabem que um conhecido vai ao psicólogo ou psiquiatra.
Felizmente isso vem aos poucos mudando, novas técnicas psicoterápicas vêm sendo desenvolvidas, e as antigas, aprimoradas. Os fármacos também vêm se atualizando, com novas moléculas, mais seguras e assertivas. Sem falar de outros tratamentos biológicos que permitem inclusive que grávidas possam ser cuidadas, tamanha a segurança dos procedimentos.
Portanto, o que se apresenta é um grande desafio, seja no plano das políticas públicas ou no campo individual. O problema é grave e não pode ser negligenciado. Sabemos onde ele se encontra e como procurar ajuda, então que busquemos e fiquemos saudáveis por inteiro, física e mentalmente.
*O autor é médico psiquiatra e professor da pós-graduação em psiquiatria da UVV

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