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Conversa de Bolso

Almoçar fora ou comprar no supermercado: o que dói menos no bolso?

Ouça a análise da comentarista Neyla Tardin

Publicado em 15 de Julho de 2022 às 11:50

Neyla Tardin

Publicado em 

15 jul 2022 às 11:50
Comida, comer, alimentação, refeição
 alimentação em pauta Crédito: Freepik
Notícias sobre o efeito da inflação no bolso do consumidor não param de chegar: o índice oficial de inflação (IPCA) já rompeu a barreira dos 10% ao ano desde 2021, e a política fiscal brasileira dá sinais de que a alta de preços não dará trégua, após a distribuição de auxílios emergenciais acima do teto orçamentário à população. Estimativa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) diz que as famílias beneficiadas pretendem gastar mais da metade do auxílio em compras com supermercados. Ao distribuir renda sem previsão no orçamento, o Estado escolheu expansão monetária em detrimento do corte de gastos públicos. Desse jeito, o dragão inflacionário não vai embora tão cedo.
Assim, os gastos com alimentação tornam-se ponto crítico do orçamento doméstico, para as famílias que querem evitar gastos excessivos ou o endividamento crônico. Nesse atual patamar de preços, vale a pena botar na ponta do lápis algumas simulações: almoçar fora ou comprar no supermercado? Suponha que estamos falando de uma família com três membros, que comem em média 300g de alimento no almoço cada um.
Se a família gasta R$ 2.000 por mês de supermercado, consome o equivalente a uma botija de gás de cozinha ao preço de R$ 112, o custo por cabeça será de R$ 778 mensais. Se essa mesma família decidir comer fora 30 dias no mês, em um self-service cujo quilo sai por R$ 65, ela vai gastar R$ 585 por cabeça no período. Nesse caso, o supermercado sai 33% mais caro.
Vamos repetir a mesma simulação, mantendo-se tudo mais constante, à exceção dos gastos com supermercado. Agora essa mesma família com três membros vai gastar R$ 1.500 por mês levando alimentos para casa em vez dos R$ 2.000 anteriores. Nesse caso, o supermercado ainda sai mais caro (R$ 612 mensais por cabeça versus os R$ 585 do self-service), uma diferença sutil de 4,6% (em vez dos 33% anteriores). Os gastos com supermercado serão ligeiramente menores que os gastos com o self-service nessa mesma simulação, se o consumo do gás de cozinha fosse R$ 60 mensais. Nesse caso, o supermercado sairia por R$ 560 mensais por cabeça, enquanto o self-service custaria os mesmos R$ 585.
Agora se você gasta ainda menos no supermercado: suponha um gasto mensal de R$ 1.200 para essa família com compras na gôndola, tudo mais constante, inclusive o gasto de R$ 112 mensais com gás de cozinha. O self-service nesse caso perde para o supermercado: o primeiro sai por R$ 585 mensais por cabeça; o segundo custa R$ 512 mensais por cabeça. Em resumo, nesse caso, o varejo sai 12,5% mais barato que o almoço fora.
Minha sugestão final é: faça as contas e não gaste por impulso. Os tempos não permitem. Em breve, sejamos otimistas, essa inflação ficará para trás, assim como a hiperinflação dos anos 80 (lembra!?) está hoje apenas nos livros de história.
Conversa de Bolso - 15-07-22

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